Entrevista: “A escuta demonstra ao enfermo que o levamos em consideração”, Eleny Vassão

A capelania hospitalar no Brasil tem sido, ao longo das últimas décadas, silenciosamente construída por homens e mulheres que compreenderam que, em meio à dor, à fragilidade e à finitude da vida, há um campo missionário bastante sensível — e, ao mesmo tempo, urgentemente necessário. Entre esses nomes, destaca-se o de Eleny Vassão, pioneira na consolidação do cuidado espiritual no ambiente hospitalar e referência para gerações de capelães em todo o país. Com mais de quatro décadas de atuação, sua trajetória é marcada não apenas pela experiência acumulada, mas por uma espiritualidade amadurecida no contato direto com o sofrimento humano. Sua abordagem une firmeza bíblica, sensibilidade pastoral e uma escuta atenta — elementos que transformaram sua atuação em um importante ministério de presença, consolo e esperança. Nesta entrevista ao Jornal da ACASE, concedida no exato momento em que a instituição passa a adotar em seu nome o serviço da capelania, Eleny revisita as origens do seu chamado, compartilha aprendizados construídos ao longo de anos de serviço e oferece reflexões sobre o papel da fé cristã diante da dor, do luto e das incertezas que permeiam o ambiente hospitalar. Suas palavras orientam e inspiram todos aqueles que, de alguma forma, se sentem chamados a cuidar — seja no leito hospitalar, seja nos espaços de acolhimento que se estendem para além dele. Relato de experiência, esta conversa também é um convite a enxergar o sofrimento com os olhos da compaixão cristã e a responder a ele com presença, sabedoria e dependência de Deus. Como nasceu o seu chamado para a capelania hospitalar? Houve algum momento ou experiência específica em que a senhora percebeu que Deus a estava direcionando para esse ministério? Minha mãe precisou ficar de cama no final da gravidez do meu irmão, e precisei cuidar muito dela, ajudando a levar as refeições escada acima no sobrado e a lhe fazer pequenos favores. Afinal, eu estava com 6 anos de idade! Quando me converti a Cristo, aos 13 anos, tive certeza que o Senhor estava me chamando para um campo missionário, mas não sabia qual. Então, continuei a minha vida: fiz a Faculdade de Belas Artes, casei, tive 4 meninos, mas ainda sentia que Deus me queria em algo mais. Ao acolher em minha casa seminaristas, um deles precisou fazer uma cirurgia e, ao visitá-lo no hospital, clamou que eu o levasse para casa. Assim o fiz, e cuidei dele durante sua recuperação. Por morar muito perto da Igreja, queridos irmãos e irmãs o visitavam com frequência. Mesmo sendo muito bom recebe-los, percebi que o meu enfermo ficava bastante cansado. Vi, também, que muitos não sabiam o que falar ou como orar e, por vezes, apesar de todas as boas intensões, agiam de modo inconveniente. Comecei a orientá-los e a organizar uma agenda de visitas. Era o início do meu ministério de Capelania Hospitalar! A senhora atua na capelania hospitalar há muitas décadas. O que mais mudou na forma de cuidar espiritualmente de pacientes e famílias ao longo desse tempo? Trabalho em Capelania Hospitalar há 44 anos, tendo começado como Capelã Evangélica do Hospital das Clínicas da FMUSP, em São Paulo. Creio que o que mais mudou foi a minha pessoa, pois diante de pacientes desconhecidos, credos diversos e reações diferentes à visita, à evangelização e ao aconselhamento bíblico, descobri que não faço nada por mim mesmo. Dependo, em todo o tempo, da graça de Deus, da ação do Espírito Santo que prepara os corações dos meus pacientes, seus cuidadores e dos profissionais da saúde para ouvir o Evangelho e aceitá-lo ou não. Tenho aprendido, continuamente, a ser mais dependente Dele, a falar com mais delicadeza, criando um vínculo antes de falar de Cristo, e aproveitando a palavra-chave que cada um deles me traz, segundo a sua necessidade, para então apresentar Cristo como Salvador. O sofrimento humano é uma realidade constante no ambiente hospitalar. Como a fé cristã pode oferecer esperança real a pessoas que estão enfrentando dor, medo ou a possibilidade da morte? O convite de Jesus, em Mateus 11:28, é: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu os aliviarei…” Somente no Senhor Jesus há alívio para as pesadas cargas que tentamos carregar em nossas vidas, principalmente quando nos vemos fragilizados pelo sofrimento, totalmente dependentes de outros e incapazes de resolver as questões que nos abatem. Jesus é Aquele que nos traz sentido ao sofrimento, forças novas e esperança para viver e também para partir, com a certeza da vida eterna no céu. É diante Dele que podemos derramar as nossas queixas e chorar em Seu colo, como diz o Salmo 142: “Ao Senhor ergo a minha voz e clamo…Derramo diante Dele a minha queixa, à Sua presença exponho a minha angústia”. No Salmo 119:50, lemos: “O que me consola em minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica”. Então, no versículo 71, o Salmista reconhece o resultado benéfico da provação em sua vida: “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os seus decretos”. Em sua experiência, qual é a importância da escuta no trabalho de capelania? O que um capelão precisa aprender sobre ouvir antes de falar? A escuta demonstra ao enfermo que o levamos em consideração, dando-lhe atenção, olhando em seus olhos, observando seus gestos e tratando-o com respeito e compaixão. Sentindo-se valorizado, ele também se dispõe a nos dar ouvidos. Podemos aprender isso com Jesus que, sendo o próprio Deus onisciente, dava ouvidos à cada pessoa, inclinando-se em sua direção e ouvindo suas palavras antes de lhes responder e atender às suas necessidades. Ele é o nosso modelo. Nos nossos Cursos de Capelania Hospitalar falamos muito sobre a importância de aprender a dar ouvidos, e o próximo Curso Nível 1 será de 1 a 3 de maio, em São Paulo (inscrições pelo site www.capelanianasaude.org.br). Muitas vezes o cuidado espiritual não alcança apenas o paciente, mas também familiares e profissionais de saúde. Como o capelão pode servir a essas pessoas que também estão emocionalmente sobrecarregadas? Escrevi … Ler mais

ACASE realiza culto na capela do HMIB em homenagem às mulheres

Momento inédito contou com louvor, oração e esperança para mulheres em meio à rotina hospitalar …………………….Felipe Coimbra……………………. Pela primeira vez desde que iniciou o trabalho de acolhimento no hospital, a Acase celebrou um culto nas dependências do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). O momento de adoração e celebração aconteceu na manhã de 9 de março, na capela da unidade, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, ocorrido no dia anterior. A celebração reuniu pacientes, acompanhantes, familiares e voluntários em um momento de fé e reconhecimento ao papel e à força das mulheres. A iniciativa do culto partiu da coordenadora de voluntariado do HMIB, Ludmila Coimbra, servidora da Secretaria da Saúde e entusiasta do trabalho da Acase. A organização e condução da celebração ficaram sob responsabilidade da Associação, que realiza regularmente ações de capelania e acolhimento no hospital por meio da Tenda do Acolhimento. Desde o início do culto, iniciado às 10 horas, os bancos da capela foram sendo preenchidos por mulheres que vivem, naquele espaço, momentos delicados de suas vidas. Mães e avós compareceram acompanhadas de seus filhos e netos, muitos deles ainda em tratamento. Algumas crianças chegaram à capela carregando o próprio suporte de soro móvel, uma cena que evidenciava, ao mesmo tempo, a fragilidade do momento vivido e a esperança que move as famílias em busca de conforto espiritual. O período de louvor foi conduzido por Yan Victoria, vice-presidente da Acase, e por Filipe Oliveira, voluntário que atua nos eventos da instituição. As canções de adoração levaram muitas das presentes a momentos de emoção. Algumas mulheres se emocionaram durante o louvor e também na oração final, encontrando naquele instante um espaço de consolo e renovação da fé. A mensagem da manhã foi ministrada por Anderson Olivieri, presidente da Acase, que trouxe uma reflexão baseada no texto de Lucas 10.38–42, passagem em que Marta e Maria recebem a visita de Jesus e respondem de maneiras diferentes à sua presença. Na narrativa bíblica, Marta se ocupa intensamente com os afazeres da casa, enquanto Maria escolhe sentar-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. A reflexão destacou que, em meio às inúmeras responsabilidades que muitas mulheres carregam diariamente — especialmente em contextos de cuidado com filhos e familiares — é fundamental não perder de vista aquilo que Jesus chama de “a boa parte”: o tempo de comunhão com Deus, que fortalece e sustenta a caminhada. Ao final do culto, todas as mulheres presentes receberam uma lembrancinha preparada pela Acase. O presente incluía uma literatura voltada ao público feminino, doada pela Sociedade Bíblica do Brasil, além de uma caneta personalizada da Acase. Em meio aos corredores e enfermarias do hospital, o culto reafirmou a missão da Acase de levar acolhimento espiritual, oração e palavras de vida a quem mais precisa, sendo, em ambiente hospitalar, quase sempre, elas – as mulheres.

Continuamos ACASE, mas mudamos

Por Anderson Olivieri* Talvez você esteja surpreso com o anúncio trazido na capa desta edição. Você não leu errado: a ACASE mudou mesmo de nome. Somos, agora, Associação de Capelania e Serviço aos Enfermos. Como sigla, seguimos a mesma ACASE de sempre. A mudança se confirma após quase um ano de reflexão. O nome original, Associação Cristã de Assistência Social e Espiritual, embora agradasse à maioria dos associados, comunicava pouco acerca de “quem somos” e de “o que fazemos” – nisto, todos concordavam. Era um nome genérico. Cinco motivos justificaram a alteração. Primeiro, a necessidade de clareza de identidade. O novo nome define com precisão o principal campo de atuação da ACASE (o ambiente hospitalar); Segundo, o alinhamento com a prática real da instituição. A ACASE, com a alteração, não muda de rumo, mas sintoniza o nome à realidade vivida; Terceiro, o fortalecimento institucional. A nova denominação facilita o reconhecimento por hospitais, parceiros e apoiadores; Quarto, o foco no público-alvo. Ao trazê-lo – “aos enfermos” –, o novo nome dá rosto à missão, colocando a pessoa atendida no centro e reforçando o caráter cristão da obra; Quinto, uma comunicação mais acessível à sociedade. Para quem está de fora, a nova denominação é mais clara quanto ao propósito da instituição. Apresentadas essas razões em assembleia ordinária ocorrida em março deste ano, os associados aprovaram unanimemente a mudança de nome. A única ressalva deles dizia respeito à sigla ACASE, já consolidada e querida dos integrantes. Não devíamos alterá-la. Levei então aos associados a proposta que me agradava e preservava o acrônimo – Associação (A) de Capelania (CA) e Serviço (S) aos Enfermos (E). Paradoxal, é verdade, mas estamos diante de uma mudança que conserva. Ao trocar de nome, a ACASE fortalece a sua essência, constituindo-se agora, de fato e de direito, uma instituição que cuida da espiritualidade dos enfermos e os serve. Nesse aspecto, Cristo é o nosso modelo perfeito de acolhimento, gentileza e dedicação aos doentes, Aquele a quem, em tudo, queremos imitar em nossa missão. Há outros dois exemplos que me inspiram para este novo tempo da ACASE – um do mundo antigo, outro contemporâneo. Tenho me dedicado ao estudo da história da capelania e, por isso, deparei-me com Martinho de Tours (317 – 397 d.C) – para muitos o “fundador” da capelania a partir de seu gesto de doar metade da sua capa a um mendigo ao relento. Homem devoto a Cristo, abriu mão da vida militar em favor do serviço aos pobres e doentes após se converter. Uma trajetória cristã linda e inspiradora. Como também a é de Eleny Vassão, a segunda referência a que me referi. Paulistana com mais de 40 anos de experiência em capelania hospitalar, ela alia chamado ministerial com rigor e conhecimento técnicos para o desempenho do serviço. Experiência e conteúdo acumulados que Eleny compartilha em seus excelentes cursos de formação de capelães, promovidos pela instituição que ela dirige – a Associação de Capelania na Saúde (ACS). Fui seu aluno em um desses cursos, ministrado em maio de 2025, e asseguro: não há nada no Brasil, em capelania hospitalar, comparável ao que Eleny Vassão produz. Nesta 14ª edição do Jornal da Acase, em que anunciamos a nossa nova denominação – Associação de Capelania e Serviço aos Enfermos– tive a alegria de fazer uma entrevista com a Eleny. O conteúdo, imperdível, constitui verdadeira aula de capelania hospitalar. E, para fechar com chave de ouro esta edição especial, no Espaço Lion Dias Padilha, com texto escrito por um convidado, contamos com a colaboração do Dr. Dan Nakamura, médico intensivista, autor do livro Diário de um médico cristão, e profissional que trabalha sob o lema Cuidando da vida com ciência, fé e propósito. Espero que goste. Do nome novo e da edição especial, até aqui, a maior já produzida por nós. Um abraço. *Anderson Olivieri é fundador e presidente da ACASE

Casa de Jairo completa um ano e ultrapassa 100 visitas a lares de acolhidos em situação hospitalar

Programa da Acase que estende acolhimento para além da Tenda no hospital leva abraço, alimento e oração; Meta de visitas para 2º semestre é estabelecida Túlio Vieira “Estive enfermo, e vocês me visitaram” (Mt 25.36). A frase de Jesus, proferida em contexto de juízo final, ecoa como um chamado para a compaixão concreta — e tem se tornado realidade, semana após semana, por meio das ações do programa Casa de Jairo, da Acase. Em seu primeiro ano de existência, o projeto já ultrapassou a marca de 100 visitas a lares de acolhidos que chegaram à instituição por meio da Tenda do Acolhimento, instalada no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). As visitas ocorrem geralmente às terças, sextas-feiras ou aos sábados, sempre de forma previamente agendada, e, também, muitas vezes, integradas a ações temáticas promovidas pela Acase, como o tradicional Natal Solidário, que amplia o alcance da Casa de Jairo e fortalece os laços entre os voluntários do programa e as famílias atendidas. Apesar das necessidades materiais frequentemente urgentes, o propósito central do Casa de Jairo vai além da ajuda física. “As visitas são, antes de tudo, um tempo de escuta, de acolhimento espiritual, de aconselhamento bíblico e oração. É quando as pessoas se sentem seguras para colocar para fora suas angústias, medos, tristezas — e, muitas vezes, redescobrem a verdadeira esperança, que está em Jesus”, explica Shirley Araújo, coordenadora de Acolhimento da Acase. O impacto emocional e espiritual dessas visitas é visível. Recentemente, ao visitar uma acolhida em Luziânia (GO), Erika Jarjour, voluntária do programa, ouviu algo marcante sobre o formato das visitas. Ela mesma conta: “A família era paupérrima. As condições da casa, precárias. Levamos bastante ajuda material. Entregamos tudo e convidamos todos os presentes na casa a ouvirem o que tínhamos a dizer e, depois, a orarem conosco. A anfitriã na hora disse: ‘Isso é o que mais gosto. Vocês não nos enchem de coisa e vão embora, vocês também alimentam a nossa alma com a oração e a Palavra. Isso me faz tão bem’. Foi gratificante ouvir essas palavras dela”. Ouvida pela reportagem do Jornal da Acase, a acolhida Élida Santos, de Santa Maria (DF), destacou os benefícios do programa: “A Acase apareceu em um momento bem difícil, quando eu estava com o meu filho no hospital. Ela me acolheu, orou por nós. Pensei que tudo pararia ali, naquele acolhimento hospitalar. Mas vieram à minha casa, me visitaram, trouxeram a Palavra, roupas, alimentos. Tem sido muito importante para mim esse acompanhamento do pessoal do Casa de Jairo porque percebo que não estou sozinha”. Criado em junho de 2024, o programa recebeu esse nome inspirado no Evangelho de Lucas, capítulo 8, em que Jesus vai à casa de Jairo, príncipe da sinagoga, para levar vida à sua filha. Portanto, esta é a essência que move cada visita da equipe da Acase: levar vida onde a dor e o sofrimento haviam se instalado. Seja por meio de doações materiais — como cestas básicas, fraldas, roupas, medicamentos ou até móveis —, seja pelo conforto da Palavra de Deus, o projeto tem sido uma ponte entre o hospital e a casa, entre a emergência da dor e a permanência do cuidado. Com a meta de realizar pelo menos mais 50 visitas até o final de 2025, o Casa de Jairo segue firme no propósito de ser presença viva do amor de Cristo nos lares mais fragilizados pelo sofrimento. Para a ACASE, cada porta aberta representa mais do que uma entrega — é uma oportunidade de anunciar a vida, como Jesus fez na casa de Jairo.

Participe da “Feijoada Solidária 2025” da Acase

A ACASE promove no dia 17 de agosto, das 12h às 17h, a Feijoada Solidária 2025. O evento acontece na Mansão Monte Viedra, localizada no Park Way (Conjunto 1, Lote 2), e promete reunir amigos, famílias e apoiadores da causa em uma tarde de solidariedade, boa comida e atrações especiais. Com o valor de R$ 70 por pessoa – e entrada gratuita para crianças de até 6 anos – o convite dá direito a entradinhas, feijoada completa, sobremesas e bebidas (suco, refrigerante e água). Toda a renda arrecadada será integralmente revertida para os projetos sociais e evangelísticos da ACASE, que atua no atendimento de crianças e famílias em situação hospitalar. A programação inclui ainda música ao vivo com Carlinhos Veiga e banda, sorteio de brindes e uma estrutura pensada para o lazer de toda a família: piscina com salva-vidas, campo de futebol e vôlei, além de mesa de futmesa. Os convites já estão à venda, e as vagas são limitadas. Interessados podem adquirir aqui ou por PIX (CNPJ: 54.019.274/0001-51), para a conta da ACASE, enviando o comprovante em seguida para o WhatsApp (61)98180-8500.

Abraços que curam: ACASE leva afeto ao HMIB no Dia do Abraço

Em ação especial, voluntários ofereceram abraços e acolhimento a pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde …………………….Túlio Vieira……………………. Em um lugar marcado pela espera, pela dor e pela esperança, um gesto simples reacendeu sorrisos e emocionou pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. Em homenagem ao Dia do Abraço, comemorado no dia 22 de maio, a Associação Cristã de Assistência Social e Espiritual (ACASE) promoveu uma ação especial de carinho e acolhimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Dez voluntários se espalharam pelo hospital segurando cartazes com frases como “Posso te dar um abraço?” e “Aceita um abraço?”. O resultado foi um festival de sorrisos e encontros comoventes. A receptividade foi imediata: a maioria dos que passavam não hesitava em abrir os braços e receber o gesto afetuoso, em meio à rotina tensa e, muitas vezes, angustiante de quem está em um hospital. “Foi o abraço que desejei mais cedo, pouco antes de levantar, tanta era a minha aflição e que agora, poucas horas depois, recebo com os olhos marejados de emoção”, comentou Marli Cunha, que acompanhava a neta em consulta de rotina com nefrologista. “A gente realmente se sente percebida, é como se Deus mandasse alguém para nos lembrar que não estamos sozinhos”, ela completou. A iniciativa foi pensada como uma forma de transmitir amor, empatia e conforto em um ambiente onde gestos como esse fazem toda a diferença. De acordo com o vice-presidente da ACASE, Yan Victoria, o abraço é uma forma poderosa de comunicação não verbal, que transmite apoio e solidariedade sem precisar de palavras. “Queríamos marcar esse dia com algo simbólico, mas profundo. Um abraço pode mudar o clima de um lugar, e vimos isso acontecer hoje”, afirmou Márcia Olivieri, uma das voluntárias da ação. “Teve gente que se emocionou, que agradeceu com lágrimas nos olhos. É bonito ver o quanto o carinho gratuito ainda toca as pessoas.” A ação se somou às demais iniciativas da ACASE no HMIB, como os programas Tenda do Acolhimento, que acontece às segundas, quartas e quintas-feiras pela manhã; o Ler é um remédio, de distribuição gratuita de literatura a crianças, jovens e adultos; e o recém-criado Mesa Acolhedora, que oferece sopas e palavras de conforto aos pacientes durante a noite (págs. 8 e 9). A instituição tem se consolidado como uma presença de cuidado integral — corpo, mente e espírito — entre os que mais precisam. Entre um abraço e outro, ficaram as memórias de encontros breves, mas significativos. E a certeza de que, muitas vezes, o que mais precisamos não custa nada — apenas um pouco de atenção e braços abertos.

Gestão da Acase: departamentos operacionais são criados, e diretoria é nomeada

Em reunião realizada por videoconferência no dia 8 de janeiro de 2025, o presidente da Acase, Anderson Olivieri, oficializou a criação de seis departamentos dentro da estrutura operacional da instituição. São eles: Diretoria de Programas; Diretoria de Acolhimento; Diretoria de Discipulado; Diretoria de Recursos; Diretoria de Eventos; e Diretoria de Comunicação. A formação dessa estrutura de gestão, que objetiva organizar e otimizar ainda mais as atividades da instituição, é uma resposta do dirigente ao crescimento da atuação social e espiritual da Acase. Os seguintes diretores foram nomeados: Erika Jarjour (Programas); Shirley Araújo (Acolhimento); Alex Queiroz (Discipulado); Alexandre Miguel (Recursos); Monique Olivieri (Eventos); Lucas Ferreira (Comunicação). A Diretoria de Programas é o departamento responsável por gerenciar três dos quatro programas atualmente presentes no rol de atividades da Acase: Tenda do Acolhimento; Ler é um remédio; e Ajudando a salvar vidas, uma gota de cada vez. O outro programa, Casa de Jairo, fica sob responsabilidade da Diretoria de Acolhimento, a qual, nas palavras do presidente da associação, é a primazia da Acase. Departamento voltado ao público interno, a Diretoria de Discipulado ocupa-se de capacitar, treinar e desenvolver, nas doutrinas básicas da fé cristã, os voluntários, associados e apoiadores da Acase, a fim de promover nestes um relacionamento de amor com Deus e de gerar crescimento espiritual em nossa comunidade. Já à Diretoria de Recursos, cabe estabelecer diretrizes e planejar mecanismos que viabilizem a captação de recursos, a fim de que as obras sociais da Acase aconteçam, conforme idealizado e sonhado pela instituição. Por sua vez, a Diretoria de Evento encarrega-se de organizar e promover as atividades extraordinárias da entidade, como Dia das Crianças da Acase e Natal Solidário, entre outros. Por fim, a Diretoria de Comunicação é responsável pela comunicação institucional da Acase, cabendo-lhe promover e desenvolver estratégias de comunicação e divulgação das informações. Ao nomear o time de diretores, o presidente da Acase, Anderson Olivieri, ressaltou a importância do trabalho coletivo e reforçou suas expectativas com a composição: “Estou certo de que a Acase tem agora um time de primeira linha para avançar nesse trabalho que vai além de um trabalho social ou filantrópico, constituindo-se verdadeiramente numa missão de vida cujo objetivo é anunciar aquele que é o caminho, a verdade e a vida”. A Acase conta, ainda, em sua estrutura, com uma diretoria associativa, a qual é constituída, por força estatutária, de presidente, secretário, tesoureiro e três conselheiros fiscais. Além das diretorias associativa e operacional, a entidade tem ainda um eixo espiritual (organograma ao lado). Este será desempenhado por uma igreja evangélica disposta a contribuir em oração e cobertura espiritual com a Acase. 

Tenda do Acolhimento passa a funcionar às segundas e quartas-feiras no HMIB

Programa que deu origem à Acase, a Tenda do Acolhimento, antes em operação apenas às quintas-feiras, desde 3 de fevereiro, passou a funcionar também às segundas e quartas-feiras. Dessa forma, o público que visita o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) ganha novas oportunidades de acessar um espaço, na entrada do hospital, dedicado ao acolhimento, ao abraço e ao amor ao próximo. A ampliação era uma das metas da instituição desde o final do ano passado. Embora já dispusesse de autorização da Gerência de Voluntariado do HMIB para operar todos os dias da semana pela manhã, a Acase, em fase de estruturação, montava a Tenda do Acolhimento apenas às quintas-feiras. Com o aumento do número de voluntários e o crescimento da instituição, a expansão tornou-se possível. Erika Jarjour, Diretora de Programas da Acase, comemora a ampliação: “Queríamos incluir as segundas e quartas em nossa agenda de montagem da Tenda logo no início de 2025. E deu certo! Capacitamos os voluntários, estruturamos a operação de montagem da Tenda e, agora, entregamos às pessoas em situação hospitalar do HMIB mais oportunidades de acolhimento”. Primeira pessoa acolhida após a ampliação, Ingrid Souza valoriza a existência do espaço e não esconde a alegria ao saber do crescimento do programa: “Desejo que Deus dê condições a vocês de continuarem este trabalho. Isso é de uma importância para nós, pacientes carentes, que vocês não fazem ideia”. A partir de agora, de acordo com a Diretora de Programas, a meta passa a ser a ampliação da Tenda do Acolhimento para todos os dias da semana, pela manhã, no HMIB. A previsão de cumprimento dessa meta é para o segundo semestre de 2025.

Gritos e silêncios

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 6 do Jornal da ACASE) Alguns gritos ainda martelam em minha mente. Não me refiro a volume. Nem sempre gritos se medem por decibéis. Falo de desespero, agonia, urro da alma: “Você pode ir lá reconhecer o corpo da minha filha?”; “Não tenho comida para dar às crianças”; “O remédio acabou em casa e no posto de saúde, vocês podem me ajudar?”; “A mãe quer batizar a criança antes de a bebê falecer, vocês a batizam?”; “Vão me visitar mesmo? Ninguém me visita”; “Eu quero mudar de vida e criar meu filho”. Esses são alguns dos apelos dirigidos a mim, por acolhidos da ACASE, ao longo de 2024. Eu bem poderia fazer deste texto retrospectivo do ano encerrado um memorial das conquistas da associação. Viria em boa hora não só pela alvorada do novel 2025, mas também porque a ACASE completará um ano de fundação em 22 de janeiro. Nesse tempo, acolhemos mais de cem famílias no Hospital Materno Infantil de Brasília; colocamos a Tenda do Acolhimento para funcionar na área externa do hospital; fizemos o Dia das Crianças da ACASE para 150 crianças do Sol Nascente (DF); distribuímos dezenas de cestas básicas; promovemos o Natal Solidário da associação. Não faltaram beneficências. Mas destaco os “gritos”, todos angustiantes, impactantes, porque eles me impedem de acomodar-se. Relembram-me o propósito. Empurram-me à missão de levar, aos enfermos, oração; aos famintos, alimentos; aos carentes, amor; e a todos, Cristo. Desperta-me espiritualmente para o realizar de Mateus 25:35-40, enquanto a carne me implora pelo comodismo: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram”. ― Então, os justos lhe responderão: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?”. ― O Rei responderá: ‘Em verdade lhes digo que tudo o que vocês fizeram a algum desses meus pequenos irmãos, a mim o fizeram’”. Os donos dos “gritos” são vidas oprimidas que levam seus fardos num trote lento. Poucos os veem, poucos se importam com eles. São os invisíveis de rostos e corpos marcados, de odores acentuados, de falas bombásticas ao interior de quem lhes acolhe. Pedem-nos que reconheçamos o corpo da filha em seu lugar por medo de não suportar mais este evento em sua cruel trajetória; Clamam-nos por socorro com comida porque já ouvem o ronco da fome na barriga dos filhos; Suplicam-nos o remédio faltante apavorados pelo risco da piora médica do rebento; Imploram-nos o batismo da filha em travessia tementes da morte eterna; Aceitam a visita domiciliar esperançosos de alguém lhes bem-querer; Confessam-nos o desejo por mudança de vida, largando o crime, em gratidão pela cura do filho enfermo. Para acolher pessoas em situação hospitalar, é preciso que o grito da alma seja escutado. Mesmo que esse grito prescinda de sons, falas, e seja ele o silêncio. Digo porque, certo dia, notei a presença de uma moça embaixo de uma árvore do bosque do HMIB. Passados dez minutos, ela continuava na mesma posição – imóvel e aérea. Aproximei-me e perguntei-lhe o que se passava. Ela não conseguia falar. Mordeu os lábios e chorou. Com algum custo, depois de muito pranto, disse-me: “Os médicos estão lá dentro fazendo o último teste para confirmar a inatividade cerebral do meu filho de nove anos”. Silencie-me, até encontrar forças para orar com ela, que reapareceria duas horas depois, em mensagem de celular, confirmando o óbito. Entre gritos e silêncios, estou certo de que em 2024, para oprimidos em situação hospitalar, a ACASE constituiu-se verdadeira presença confortadora e portadora da boa-nova salvífica, a qual só é possível por meio de Cristo. Já pessoalmente, exercitar a missão da ACASE significou confrontar, à luz da verdade redentora, tudo o que há de desorientado, encardido e destroçado em mim. Eis o meu “grito”. Anderson OlivieriPresidente da Acase

Natal Solidário da Acase visita acolhidos e leva alimento e esperança às famílias

Bruno Gouveia Entre os dias 17 e 23 de dezembro, os voluntários da Acase realizaram o Natal Solidário da entidade, distribuindo 33 cestas natalinas e visitando mais de 20 famílias acolhidas, ao longo do ano, pelo trabalho da associação de amparo a crianças e famílias em situação hospitalar. Em todas as visitas, além de uma cesta básica – incrementada de uma ave natalina, um panetone e uma caixa de bombom –, as famílias dos acolhidos da Acase ganharam presentes. Para as crianças, livrinhos infantis de colorir e brinquedos variados. E para adultos e crianças, o anúncio, pelo time de voluntários da ACASE, de que Jesus é o maior presente para todos, numa palavra de fé e esperança bem propícia à época natalina. Em 17 de dezembro, primeiro dia de visitas, o Natal Solidário da Acase passou pelas cidades de Santa Maria (DF), Valparaíso (GO) e Luziânia (GO).  No dia seguinte, os voluntários visitaram acolhidos do Sol Nascente, da Expansão do Setor O e da Estrutural. No dia 19, foi a vez de famílias das cidades de Planaltina (DF) e Sobradinho serem contempladas pelo Natal Solidário da Acase. A ação continuou na sexta-feira, dia 20, contemplando famílias carentes que têm os filhos matriculados no Programa Força nos Esportes (Profesp), da Escola Superior de Defesa, numa iniciativa coordenada pelo associado da ACASE Luiz Maciel. Finalmente, no dia 23, antevéspera do Natal, voluntários da associação passaram pelas casas de acolhidos de Samambaia e Riacho Fundo, a fim de contemplá-los com a cesta natalina completa. O Natal Solidário da Acase integra o conceito de acolhimento extensivo promovido pela associação. Para a entidade, simplesmente acolher pessoas em situação hospitalar, por meio do programa Tenda do Acolhimento, é muito pouco. Por isso, aos acolhidos que revelam algum nível de carência social e espiritual, a Acase disponibiliza os benefícios do programa Casa de Jairo, em que visitas aos lares são marcadas, e alimentos material e espiritual, levados. Portanto, o Natal Solidário da Acase nada mais é do que a realização do programa Casa de Jairo de forma temática e incrementada, tendo como missão proporcionar um Natal feliz e farto às famílias acolhidas. O sucesso desta 1ª edição do Natal Solidário da Acase é resultado do empenho de nossos voluntários e das doações confiadas à entidade por tantas pessoas. A vocês, nosso muito obrigado!