Entrevista: “A escuta demonstra ao enfermo que o levamos em consideração”, Eleny Vassão

A capelania hospitalar no Brasil tem sido, ao longo das últimas décadas, silenciosamente construída por homens e mulheres que compreenderam que, em meio à dor, à fragilidade e à finitude da vida, há um campo missionário bastante sensível — e, ao mesmo tempo, urgentemente necessário. Entre esses nomes, destaca-se o de Eleny Vassão, pioneira na consolidação do cuidado espiritual no ambiente hospitalar e referência para gerações de capelães em todo o país. Com mais de quatro décadas de atuação, sua trajetória é marcada não apenas pela experiência acumulada, mas por uma espiritualidade amadurecida no contato direto com o sofrimento humano. Sua abordagem une firmeza bíblica, sensibilidade pastoral e uma escuta atenta — elementos que transformaram sua atuação em um importante ministério de presença, consolo e esperança. Nesta entrevista ao Jornal da ACASE, concedida no exato momento em que a instituição passa a adotar em seu nome o serviço da capelania, Eleny revisita as origens do seu chamado, compartilha aprendizados construídos ao longo de anos de serviço e oferece reflexões sobre o papel da fé cristã diante da dor, do luto e das incertezas que permeiam o ambiente hospitalar. Suas palavras orientam e inspiram todos aqueles que, de alguma forma, se sentem chamados a cuidar — seja no leito hospitalar, seja nos espaços de acolhimento que se estendem para além dele. Relato de experiência, esta conversa também é um convite a enxergar o sofrimento com os olhos da compaixão cristã e a responder a ele com presença, sabedoria e dependência de Deus. Como nasceu o seu chamado para a capelania hospitalar? Houve algum momento ou experiência específica em que a senhora percebeu que Deus a estava direcionando para esse ministério? Minha mãe precisou ficar de cama no final da gravidez do meu irmão, e precisei cuidar muito dela, ajudando a levar as refeições escada acima no sobrado e a lhe fazer pequenos favores. Afinal, eu estava com 6 anos de idade! Quando me converti a Cristo, aos 13 anos, tive certeza que o Senhor estava me chamando para um campo missionário, mas não sabia qual. Então, continuei a minha vida: fiz a Faculdade de Belas Artes, casei, tive 4 meninos, mas ainda sentia que Deus me queria em algo mais. Ao acolher em minha casa seminaristas, um deles precisou fazer uma cirurgia e, ao visitá-lo no hospital, clamou que eu o levasse para casa. Assim o fiz, e cuidei dele durante sua recuperação. Por morar muito perto da Igreja, queridos irmãos e irmãs o visitavam com frequência. Mesmo sendo muito bom recebe-los, percebi que o meu enfermo ficava bastante cansado. Vi, também, que muitos não sabiam o que falar ou como orar e, por vezes, apesar de todas as boas intensões, agiam de modo inconveniente. Comecei a orientá-los e a organizar uma agenda de visitas. Era o início do meu ministério de Capelania Hospitalar! A senhora atua na capelania hospitalar há muitas décadas. O que mais mudou na forma de cuidar espiritualmente de pacientes e famílias ao longo desse tempo? Trabalho em Capelania Hospitalar há 44 anos, tendo começado como Capelã Evangélica do Hospital das Clínicas da FMUSP, em São Paulo. Creio que o que mais mudou foi a minha pessoa, pois diante de pacientes desconhecidos, credos diversos e reações diferentes à visita, à evangelização e ao aconselhamento bíblico, descobri que não faço nada por mim mesmo. Dependo, em todo o tempo, da graça de Deus, da ação do Espírito Santo que prepara os corações dos meus pacientes, seus cuidadores e dos profissionais da saúde para ouvir o Evangelho e aceitá-lo ou não. Tenho aprendido, continuamente, a ser mais dependente Dele, a falar com mais delicadeza, criando um vínculo antes de falar de Cristo, e aproveitando a palavra-chave que cada um deles me traz, segundo a sua necessidade, para então apresentar Cristo como Salvador. O sofrimento humano é uma realidade constante no ambiente hospitalar. Como a fé cristã pode oferecer esperança real a pessoas que estão enfrentando dor, medo ou a possibilidade da morte? O convite de Jesus, em Mateus 11:28, é: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu os aliviarei…” Somente no Senhor Jesus há alívio para as pesadas cargas que tentamos carregar em nossas vidas, principalmente quando nos vemos fragilizados pelo sofrimento, totalmente dependentes de outros e incapazes de resolver as questões que nos abatem. Jesus é Aquele que nos traz sentido ao sofrimento, forças novas e esperança para viver e também para partir, com a certeza da vida eterna no céu. É diante Dele que podemos derramar as nossas queixas e chorar em Seu colo, como diz o Salmo 142: “Ao Senhor ergo a minha voz e clamo…Derramo diante Dele a minha queixa, à Sua presença exponho a minha angústia”. No Salmo 119:50, lemos: “O que me consola em minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica”. Então, no versículo 71, o Salmista reconhece o resultado benéfico da provação em sua vida: “Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os seus decretos”. Em sua experiência, qual é a importância da escuta no trabalho de capelania? O que um capelão precisa aprender sobre ouvir antes de falar? A escuta demonstra ao enfermo que o levamos em consideração, dando-lhe atenção, olhando em seus olhos, observando seus gestos e tratando-o com respeito e compaixão. Sentindo-se valorizado, ele também se dispõe a nos dar ouvidos. Podemos aprender isso com Jesus que, sendo o próprio Deus onisciente, dava ouvidos à cada pessoa, inclinando-se em sua direção e ouvindo suas palavras antes de lhes responder e atender às suas necessidades. Ele é o nosso modelo. Nos nossos Cursos de Capelania Hospitalar falamos muito sobre a importância de aprender a dar ouvidos, e o próximo Curso Nível 1 será de 1 a 3 de maio, em São Paulo (inscrições pelo site www.capelanianasaude.org.br). Muitas vezes o cuidado espiritual não alcança apenas o paciente, mas também familiares e profissionais de saúde. Como o capelão pode servir a essas pessoas que também estão emocionalmente sobrecarregadas? Escrevi … Ler mais

Entrevista: Renata Guimarães fala sobre o projeto “Ler é um remédio” e os benefícios da leitura para crianças

Especialista em Leitura em Voz Alta (LVA) e pós-graduanda em Educação Cristã Clássica, a professora Renata Guimarães foi ouvida pelo Jornal da ACASE e destacou os benefícios que o projeto Ler é um remédio pode garantir a crianças em situação hospitalar. Leia, a seguir, a entrevista com Renata Guimarães: . Jornal da Acase (JA): Quais contribuições, do ponto de vista do tratamento médico, o projeto Ler é um remédio pode dar a crianças enfermas em hospitais? Renata Guimarães (RG): Olha que interessante: um estudo brasileiro, liderado pelo pesquisador Dr. Guilherme Brockingtonm, evidenciou que o ato de contar histórias é capaz de trazer benefícios fisiológicos e emocionais para as crianças que se encontram em Unidades de Terapia intensiva (UTIs). De forma resumida, o referido estudo, realizado dentro do cotidiano de uma UTI pediátrica, constatou uma queda nos índices de cortisol (hormônio do estresse) e aumento de ocitocina (hormônio ligado ao bem-estar) nas crianças hospitalizadas que ouviram histórias. Isto acontece porque, ao ouvir uma boa história, a criança pensa e experimenta sensações que a transporta para outro lugar longe das condições às quais ela se encontra naquele momento. O resultado é um alívio do sofrimento. No meu ponto de vista, um estudo como esse comprova que o projeto Ler é um remédio vai além de entreter de forma lúdica crianças hospitalizadas. Ele declara que uma intervenção como essa de baixo custo e de altíssima eficácia do ponto de vista do tratamento médico, melhora as circunstâncias físicas e emocionais daquelas crianças. JA: Aconselhe os pais ou responsáveis pelas crianças contempladas com o kit de leitura do Ler é um remédio quanto à forma como forma eles podem auxiliá-las na leitura. RG: O melhor conselho que eu posso dar é: ao ler para uma criança, empenhe-se na leitura! Entre na história! Leia com entusiasmo! Não tenha vergonha de fazer diferentes vozes para os personagens da história. Durante a leitura, sempre que puder, olhe nos olhos da criança! Converse sobre as ilustrações do livro. Ao finalizar a leitura, pergunte à criança o que ela está vendo, do que ela mais gostou. Deixe que ela fale, caso queira. Ao ouvir uma história, a criança se transporta para dentro daquele enredo. Sua imaginação está aguçada e sua empatia ativada! E ressalto algo muito importante: não pare por aí! Deixe que o projeto Ler é um remédio seja um grande incentivador para que os livros façam parte da rotina das crianças. O hábito de ler em voz alta para uma criança e da leitura feita de forma autônoma pela criança pode e deve ir além de momentos de crise, ele também auxilia nas questões cognitivas, inclusive num contexto escolar, e nas demandas afetivas. Eu costumo dizer que ler para uma criança é um ato de amor! JA: Ler é mesmo um remédio? RG: Com certeza ler é mesmo um remédio! Um remédio sem igual! Para além de benefícios fisiológicos, ler nutre a alma. Certa vez li que a literatura é o espelho da vida. Um bom livro nos faz viajar pelo tempo, nos dá a oportunidade de “conviver” com pessoas (os personagens) que jamais conheceríamos em nosso dia a dia e abre nossos horizontes de tal modo que possamos aprender com as conquistas, os medos, as esperanças do ser humano. Um bom livro não é terapia, mas é terapêutico! Um bom livro é sempre um bom remédio em qualquer estação da vida. DOE LIVROS Se você possui livros infantis em casa, em condições adequadas de leitura, e desejar doar para o projeto Ler é um remédio, entre em contato com a ACASE pelo WhatsApp (61) 99870-0333. Serão dadas todas as orientações em relação à sua doação, que é muito importante para a manutenção do programa de leitura infantil no HMIB.

Entrevista: conheça o trabalho de acolhimento do médico André Ricardo

O Jornal da ACASE entrevistou o médico André Ricardo, que realiza, no agreste pernambucano, um trabalho semelhante ao desempenhado pelos voluntários da ACASE nos hospitais de Brasília. A atuação do médico começou nas unidades de saúde do interior de Pernambuco e já está em 10 estados brasileiros. Doutor André Ricardo, como é conhecido, viralizou nas redes sociais, em 2020, ao entregar aos pacientes, na sala de espera dos hospitais, além de abraços, uma palavra de amor, fé e esperança. Denominado Momento Sem Receita, o serviço gratuito de acolhimento às pessoas pode ser acompanhado no perfil @dr_andre_ricardo no Instagram, onde o médico soma mais de 445 mil seguidores. Leia, abaixo, a íntegra da nossa conversa com o médico. . Jornal da Acase (JA): Trabalhos como o Momento Sem Receita são verdadeiros chamados de Deus. Como nasceu o projeto?André Ricardo (AR): O Momento Sem Receita nasceu em 9 de dezembro de 2019, em um encontro que eu tive com Deus pela madrugada, num momento de muita dor. Nesse mesmo dia, às 7 horas da manhã, peguei a minha Bíblia e fui trabalhar no hospital de Bonito-PE. Quando cheguei com a Bíblia na mão, todos ficaram assustados. Eu chamei a minha equipe e disse que tinha tido um encontro com Deus naquela madrugada, e que minha vida não seria mais a mesma a partir daquele dia. Deixei um versículo para eles: Salmos 121:1-2. Alguns choraram, outros duvidaram. JA: Como é a rotina do Momento Sem Receita e de que forma ele é feito?AR: O MSR acontecia em todos os hospitais que eu fazia plantão, mas, até então, eu só pregava para a minha equipe. Após uns 3 meses, antes de começar o atendimento, eu passei a deixar versículos na recepção para os pacientes. Isso aconteceu por 9 meses, sem ser filmado, porque Deus havia me falado que eu não filmasse, até que alguém postasse um vídeo desse momento, e esse vídeo fosse visto por milhares de pessoas. Assim aconteceu. Em 14 de setembro de 2020, uma paciente filmou o momento em que eu deixava uma mensagem para os pacientes. Ela postou no Facebook, e o vídeo viralizou rapidamente, com mais de 270 mil compartilhamentos. Ali, eu entendia que o Senhor Jesus lançava e autorizava o MSR a ser filmado e levado a outros lugares. Hoje já alcançamos mais de 100 hospitais por todo Brasil, mais de 10 estados, com predomínio em hospitais no Pernambuco. Também já fizemos no maior hospital da América Latina, a Santa casa de Misericórdia, em São Paulo.  JA: Já encontrou algum tipo de resistência, do Poder Público ou de chefes, para realizar o MSR?AR: Já encontramos muitas barreiras sim, e já até enfrentamos processos no Conselho Regional de Medicina. O último processo respondido foi por ter falado de Jesus na UTI de um hospital em Olinda-PE. O diretor-médico me processou, e, depois de alguns meses, no julgamento do tribunal do conselho, fui absolvido por 8 votos a 4, para a glória de Deus. Já fui exposto em redes sociais, por ter prescrito junto à receita de remédio, versículos da Bíblia como sendo o remédio mais eficaz para aquele paciente. JA: Imagino que, para fazer o MSR, o senhor precisa se preparar antes, tirar um tempo de oração. Conte-nos um pouco como é essa preparação.AR: O MSR foi concedido a nós por Deus, através de uma busca intensa de oração. O nome Momento Sem Receita, bem como todas as estratégias para realizar, foi nos concedida sempre pelas madrugadas durante a oração.Quando vamos realizar o MSR, eu peço para que toda a equipe faça jejum e que vá para o momento em jejum. Isso nos ajuda muito, pois o ambiente hospitalar é muito carregado e com uma contaminação, acima de tudo, espiritual. JA: Certamente, já presenciou milagres a partir do MSR. Conte-nos as experiências mais marcantes.AR: Por diversas vezes, já pudemos presenciar o poder de Deus, durante o Momento Sem Receita: curas físicas, emocionais e espirituais. Pessoas curadas do câncer, pessoas curadas da depressão, pessoas que foram libertas dos remédios controlados, pessoas que aceitaram a Jesus durante o momento… São inúmeros os milagres, para Glória de Deus. JA: O que a sua experiência já permite dizer quanto ao resultado desse acolhimento? O que o MSR gera nas pessoas acolhidas?AR: O MSR tem sido refrigério para muitos pacientes, acompanhantes, e muito para os colaboradores dos hospitais. Pessoas que estão ali trabalhando, mas que por vezes estão destruídas, enfrentando problemas em seus lares, e que só precisavam de um abraço. O objetivo do MSR é levar o amor, a paz, a esperança e, acima de tudo, o remédio que cura toda enfermidade: que é a Palavra de Deus. JA: Como é a sua história com a fé em Jesus?AR: Eu nasci em um lar cristão, fui apresentado na igreja Batista aos 10 dias de vida, com meu irmão gêmeo, mas passei a minha vida adulta fora da igreja, mesmo estando dentro dela. Conheci a Cristo, verdadeiramente, face a face, há 4 anos, quando tive um encontro com Jesus. JA: Sempre quis ser médico e aliar ciência e fé?AR: Nunca pensei em ser médico, sempre tive vontade de ser agricultor e missionário. Quando eu estava no terceiro ano de medicina, decidi largar a faculdade para fazer teologia, mas minha mãe não deixou. Ela disse: você não vai largar a faculdade, porque você será um médico-pastor. Eu obedeci a minha mãe e jamais imaginei que eu viveria o que estou vivendo. Promessa de Deus se cumprindo em minha vida. JA: Tem ideia de quantas vidas já foram abraçadas e acolhidas pelo MSR, desde que o projeto se iniciou?AR: Não tenho números exatos, mas foram milhares de pessoas. E dezenas de almas entregues a Jesus nos hospitais. JA: Qual a situação mais impactante que já presenciou no hospital, realizando o MSR?AR: Para mim, o mais impactante é ver pessoas aceitando a Jesus nas recepções dos hospitais, se ajoelhando, clamando, chorando e dizendo que querem voltar para Cristo. Isso, para mim, é o mais importante.  JA: A ACASE, nossa Associação cristã em Brasília, realiza um trabalho de acolhimento semelhante, porém com … Ler mais

Entrevista: Élcio Lourenço

Além de oferecer oração e palavras de acolhimento, os voluntários da ACASE presenteiam as pessoas abordadas no Hospital Materno Infantil de Brasília com um livro de mensagens cristãs, o Deus pensa em você. A nossa reportagem entrevistou o autor dessa obra, o pastor Elcio Lourenço, que, além de se dedicar ao ministério do ensino da Palavra de Deus, é engenheiro especializado em planejamento urbano e já ocupou importantes cargos federais e distritais, inclusive o de Secretário de Transportes do Distrito Federal. Confira a entrevista: xxx ACASE: Quando escreve livros como Deus pensa em você, o público hospitalar é um dos principais alvos de leitura do senhor?Elcio Lourenço: Nossos livros são distribuídos por pessoas que mantêm contato conosco na igreja e fora dela. Por esta razão, embora tenhamos uma quantia entregue para os que estão com câncer em tratamento no Hospital de Brasília, e para presídios, não temos um alvo único, o que leva tais livros a qualquer local. ACASE: De que forma, o livro Deus pensa em você pode abençoar alguém que vive a aflição de uma doença ou o drama de uma internação?E.L: Quando preparamos nossos livros, não temos ideia de que estará ajudando a esta ou àquela pessoa diretamente, pois já houve os mais variados efeitos. De qualquer forma, como eles nada mais são que a Palavra de Deus, com um breve comentário simplificado, isto tem servido de alento a pessoas que estão enfrentando crises, inclusive por doença. ACASE: Certamente, chega ao conhecimento do senhor, com frequência, relatos de pessoas enfermas em hospitais impactadas pela leitura dos seus livros. Como se sente quando isso acontece?E.L: Realmente já recebemos todo tipo de relato. Entretanto, confesso que não tenho maior reação diante disso, não por ignorar seu valor, mas isto é o que se espera de algo que Deus levou a acontecer. ACASE: Deus pensa em você é o seu último livro e já está em 2ª edição. Quantos são os títulos até hoje publicados? Tem ideia de quantos livros ao todo já distribuiu ao longo dos anos?E.L: Já escrevi quinze livros, sendo quatorze publicados. Não mantenho uma verificação formal de quantidade, mas levando em consideração as tiragens entre 5 mil e 10 mil por edição, e o número de edições temos seguramente mais de 600 mil exemplares distribuídos. ACASE: O senhor, além de escritor, é pastor batista. Há quantos anos exerce o ministério?E.L:Seria bom entender que eu sou um profissional da área da engenharia, com especialidade em planejamento urbano, com Mestrado na Inglaterra, tendo atuado sempre no governo, pois é ele que planeja e realiza os projetos de transportes urbanos. Minha ação no meio evangélico nunca foi meu projeto, nem meio de vida, mas em 1968 fui consagrado pastor na Igreja dos Templos Mundiais, que não mais atua no Brasil, quando passei a frequentar a Igreja Batista, sendo consagrado, mais uma vez, em 1980, pois não havia mencionado ali que era pastor. O ato de escrever teve início com uma tentativa, que acabou tendo sequência, mas não sou escritor, só reproduzo o que o Chefe me ensina. ACASE: Certamente já realizou muitas visitas em hospitais para orar por enfermos e levar o Evangelho. Que conselho daria às pessoas dedicadas a esse ministério em hospitais?E.L: De fato, já estive em hospitais e presídios, além de outros locais onde estão pessoas com problemas sérios, embora não tenha me dedicado tanto a este segmento, possivelmente pela falta de mais tempo. De forma simples diria que aquele que faz uma visita precisa ter em mente que não está em uma igreja e que as pessoas que ali estão enfrentam uma situação muito triste que abate sua animação de maneira total. Diante disso, não deve agir como pregador, exortando pessoas, mas levando uma palavra simples, trazendo animação e esperança, para o que Deus estará pronto a ajudar essas pessoas, e, se for aceito, orar em favor delas. ACASE: Sabe-se, em Brasília, que os livros do senhor circulam por hospitais, presídios, asilos, albergues públicos. O que representa para o senhor, do ponto de vista ministerial, esse alcance amplo em locais onde a sede por Deus é grande?E.L: Na atividade ministerial, minha missão é de mestre, portanto procuro orientar os que já aceitaram a Jesus, sendo que, no caso dos livros, tenho consciência que estamos atingindo pessoas que, de forma geral, não iriam a uma igreja, de modo que é uma nova oportunidade. ACASE: Há algum novo projeto literário sendo preparado?E.L: Tenho um livro pronto, mas a fase de revisão e edição é bem mais longa e difícil que a própria criação, de tal forma que não tenho data para lançamento. Quanto a novas criações, tudo depende de um tema válido. ACASE: Deixe uma mensagem aos associados da ACASE que têm se dedicado ao acolhimento e evangelismo no HMIB.E.L: Chama a atenção o fato de que a verdadeira mensagem de redenção não está ligada a igrejas, mas aos contatos que os já salvos mantêm fora dela.Diante disso, ainda que algumas vezes as ações de grupos, aparentemente informais no contexto religioso, possam parecer menos efetivas, elas possuem um efeito que somente será entendido na eternidade.