Gritos e silêncios

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 6 do Jornal da ACASE) Alguns gritos ainda martelam em minha mente. Não me refiro a volume. Nem sempre gritos se medem por decibéis. Falo de desespero, agonia, urro da alma: “Você pode ir lá reconhecer o corpo da minha filha?”; “Não tenho comida para dar às crianças”; “O remédio acabou em casa e no posto de saúde, vocês podem me ajudar?”; “A mãe quer batizar a criança antes de a bebê falecer, vocês a batizam?”; “Vão me visitar mesmo? Ninguém me visita”; “Eu quero mudar de vida e criar meu filho”. Esses são alguns dos apelos dirigidos a mim, por acolhidos da ACASE, ao longo de 2024. Eu bem poderia fazer deste texto retrospectivo do ano encerrado um memorial das conquistas da associação. Viria em boa hora não só pela alvorada do novel 2025, mas também porque a ACASE completará um ano de fundação em 22 de janeiro. Nesse tempo, acolhemos mais de cem famílias no Hospital Materno Infantil de Brasília; colocamos a Tenda do Acolhimento para funcionar na área externa do hospital; fizemos o Dia das Crianças da ACASE para 150 crianças do Sol Nascente (DF); distribuímos dezenas de cestas básicas; promovemos o Natal Solidário da associação. Não faltaram beneficências. Mas destaco os “gritos”, todos angustiantes, impactantes, porque eles me impedem de acomodar-se. Relembram-me o propósito. Empurram-me à missão de levar, aos enfermos, oração; aos famintos, alimentos; aos carentes, amor; e a todos, Cristo. Desperta-me espiritualmente para o realizar de Mateus 25:35-40, enquanto a carne me implora pelo comodismo: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram”. ― Então, os justos lhe responderão: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?”. ― O Rei responderá: ‘Em verdade lhes digo que tudo o que vocês fizeram a algum desses meus pequenos irmãos, a mim o fizeram’”. Os donos dos “gritos” são vidas oprimidas que levam seus fardos num trote lento. Poucos os veem, poucos se importam com eles. São os invisíveis de rostos e corpos marcados, de odores acentuados, de falas bombásticas ao interior de quem lhes acolhe. Pedem-nos que reconheçamos o corpo da filha em seu lugar por medo de não suportar mais este evento em sua cruel trajetória; Clamam-nos por socorro com comida porque já ouvem o ronco da fome na barriga dos filhos; Suplicam-nos o remédio faltante apavorados pelo risco da piora médica do rebento; Imploram-nos o batismo da filha em travessia tementes da morte eterna; Aceitam a visita domiciliar esperançosos de alguém lhes bem-querer; Confessam-nos o desejo por mudança de vida, largando o crime, em gratidão pela cura do filho enfermo. Para acolher pessoas em situação hospitalar, é preciso que o grito da alma seja escutado. Mesmo que esse grito prescinda de sons, falas, e seja ele o silêncio. Digo porque, certo dia, notei a presença de uma moça embaixo de uma árvore do bosque do HMIB. Passados dez minutos, ela continuava na mesma posição – imóvel e aérea. Aproximei-me e perguntei-lhe o que se passava. Ela não conseguia falar. Mordeu os lábios e chorou. Com algum custo, depois de muito pranto, disse-me: “Os médicos estão lá dentro fazendo o último teste para confirmar a inatividade cerebral do meu filho de nove anos”. Silencie-me, até encontrar forças para orar com ela, que reapareceria duas horas depois, em mensagem de celular, confirmando o óbito. Entre gritos e silêncios, estou certo de que em 2024, para oprimidos em situação hospitalar, a ACASE constituiu-se verdadeira presença confortadora e portadora da boa-nova salvífica, a qual só é possível por meio de Cristo. Já pessoalmente, exercitar a missão da ACASE significou confrontar, à luz da verdade redentora, tudo o que há de desorientado, encardido e destroçado em mim. Eis o meu “grito”. Anderson OlivieriPresidente da Acase

Natal Solidário da Acase visita acolhidos e leva alimento e esperança às famílias

Bruno Gouveia Entre os dias 17 e 23 de dezembro, os voluntários da Acase realizaram o Natal Solidário da entidade, distribuindo 33 cestas natalinas e visitando mais de 20 famílias acolhidas, ao longo do ano, pelo trabalho da associação de amparo a crianças e famílias em situação hospitalar. Em todas as visitas, além de uma cesta básica – incrementada de uma ave natalina, um panetone e uma caixa de bombom –, as famílias dos acolhidos da Acase ganharam presentes. Para as crianças, livrinhos infantis de colorir e brinquedos variados. E para adultos e crianças, o anúncio, pelo time de voluntários da ACASE, de que Jesus é o maior presente para todos, numa palavra de fé e esperança bem propícia à época natalina. Em 17 de dezembro, primeiro dia de visitas, o Natal Solidário da Acase passou pelas cidades de Santa Maria (DF), Valparaíso (GO) e Luziânia (GO).  No dia seguinte, os voluntários visitaram acolhidos do Sol Nascente, da Expansão do Setor O e da Estrutural. No dia 19, foi a vez de famílias das cidades de Planaltina (DF) e Sobradinho serem contempladas pelo Natal Solidário da Acase. A ação continuou na sexta-feira, dia 20, contemplando famílias carentes que têm os filhos matriculados no Programa Força nos Esportes (Profesp), da Escola Superior de Defesa, numa iniciativa coordenada pelo associado da ACASE Luiz Maciel. Finalmente, no dia 23, antevéspera do Natal, voluntários da associação passaram pelas casas de acolhidos de Samambaia e Riacho Fundo, a fim de contemplá-los com a cesta natalina completa. O Natal Solidário da Acase integra o conceito de acolhimento extensivo promovido pela associação. Para a entidade, simplesmente acolher pessoas em situação hospitalar, por meio do programa Tenda do Acolhimento, é muito pouco. Por isso, aos acolhidos que revelam algum nível de carência social e espiritual, a Acase disponibiliza os benefícios do programa Casa de Jairo, em que visitas aos lares são marcadas, e alimentos material e espiritual, levados. Portanto, o Natal Solidário da Acase nada mais é do que a realização do programa Casa de Jairo de forma temática e incrementada, tendo como missão proporcionar um Natal feliz e farto às famílias acolhidas. O sucesso desta 1ª edição do Natal Solidário da Acase é resultado do empenho de nossos voluntários e das doações confiadas à entidade por tantas pessoas. A vocês, nosso muito obrigado!

Rubellita Joias lança collab especial com ACASE e cria a linha “Amor Cura” de semijoias

Tito Marques Nasceu grande. A expressão define bem a Rubellita Joias, marca brasiliense especializada em semijoias atemporais e bijuterias modernas. A grandeza da Rubellita, que completa um ano de criação dia 12 de janeiro, está especialmente em sua generosidade e humanidade. Paula Cruz, proprietária da marca de e-commerce, reconhece que o altruísmo e o olhar para o próximo são mesmo diferenciais da Rubellita no mercado. E a ACASE pôde atestar isso ao ser procurada pela empresa, sem dever nada em troca, para ser beneficiada pelas vendas da linha Amor Cura. Essa linha nasceu da história de Felipe e Mariana Abreu, pais de Bella, Bento e Thaila, de 3 anos, que há poucos meses encerrou o tratamento contra a leucemia. Durante esse período, o casal se fortaleceu no amor de Deus e dos irmãos e amigos. “Não temos dúvidas de que o amor que recebemos de tantas pessoas nos sustentou e ainda nos sustenta durante o tratamento oncológico da Thaila. Desde então, temos pedido a Deus que nos ajude a não economizar no amor por onde passarmos”, explica Mariana. A expressão “Amor Cura” tornou-se um mote do casal e – não demoraria muito – uma linha da Rubellita, que pediu, ao Felipe e à Mariana, que indicassem uma entidade à qual a marca pudesse contemplar com 100% do lucro auferido nas vendas destes quatro artigos: camiseta AMOR CURA; colar THATAI (infantil), com gravação do nome da criança; colar BELLA (feminino) e escapulário BENTO (unissex), com gravação do tipo sanguíneo. Mariana e Felipe, entusiastas do trabalho da ACASE desde a sua fundação, indicaram a entidade para ser a beneficiária da ação, que lucrou R$ 2.148,73, os quais foram integralmente direcionados à ACASE pela Rubellita. “Nós estamos muito felizes em poder ajudar e contribuir com a ACASE. Nosso diferencial é o olhar sensível às causas sociais. Contem com a gente sempre”, destaca Paula Cruz. A ACASE agradece à Rubellita Joias e ao casal Mariana e Felipe Abreu por tão lindo e nobre gesto de amor. Sim, amor cura! Siga no Instagram: @rubellitajoias

O supremo conforto (por Emilio Garofalo Neto)

Por Emilio Garofalo Neto* Não tenho quase nenhuma experiência hospitalar enquanto paciente, e sei que há um tipo de conforto que é essencial. Vamos à minha trajetória: ao nascer, alguns dias na incubadora. Ao longo da infância e juventude, diversas idas ao Pronto-Socorro para suturas, talas e gessos. Pouquíssima experiência, porém, de ficar mesmo no hospital. Até hoje, quase cinquentenário, só passei uma única noite no hospital como paciente. Foi após uma simples cirurgia de hérnia, que já ocorreu aos 46 anos. Ou seja, não, não chego nem perto da imensa experiência que tantos enfrentaram ao longo da vida. Gente que conhece cada odor, cada apito, cada olhar de enfermeiros. Alguns que ainda na infância já tiveram de amadurecer e buscar conforto na realidade do cotidiano hospitalar. Eu conheço pouco, mas nesse pouco percebi o quanto conforto é importante. Parafraseando o genial Sílvio Santos: quem quer conforto? Todos queremos. E no hospital nos faltam confortos simples de nosso lar. Claro, algo temos, mas não é a mesma coisa. Uma caminha confortável, calçados que não maltratem demais o pé. O conforto de uma noite bem dormida, de uma roupa de cama que não seja mais parecida com uma lixa do que com tecido. No hospital, tem o que dá para ter. Por vezes num bom quarto, outras vezes numa enfermaria, ou mesmo numa maca no corredor lotado. Como ficamos fragilizados, não? Aquelas roupinhas reveladoras, a falta de liberdade de movimento por causa do acesso intravenoso, a movimentação constante madrugada adentro, as dores e desconfortos de um procedimento cirúrgico, os muitos sintomas das inúmeras moléstias existentes neste mundo caído.  Porém, conforto vai além de corpo. Diz respeito à alma também. Na fragilidade de se ver com o corpo exposto, de se submeter a uma anestesia geral e ser intubado, há conforto em saber o que se passa. Há conforto em conhecer ao menos um dos profissionais de saúde envolvidos. Há conforto em saber que alguém estará lá conosco na internação. Que outra pessoa vai ouvir as instruções médicas, vai chamar alguém caso a analgesia não esteja resolvendo. Conforto de almas que se cuidam unidas a nós no momento difícil. Há um conforto, porém, que poucos têm: o espiritual. A tranquilidade de saber que estamos em mãos mais firmes que as de qualquer médico. Quando os israelitas estavam para entrar na terra prometida, Moisés lhes disse: “O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos” (Dt 33.27). Moisés não entrou em Canaã. São várias as razões. E antes do povo seguir sem ele, lhes disse isso. Que coisa estranha de se dizer! Afinal, eles estavam indo para a terra em que por tantos anos sonharam habitar. Mas o patriarca lhes dá essa maravilhosa verdade: Vocês já estavam em casa. O Deus eterno é a vossa habitação, e nos segura com braços eternos. Isso sim é conforto. Braços de médicos, enfermeiros, familiares, por mais amorosos que sejam, se cansam; os braços eternos do Senhor, não. Esse conforto, você conhece? Os braços de Cristo se ergueram na cruz. E por causa disso, podemos descansar nos braços eternos de Deus. Sabe, assim mesmo fora do conforto do lar, num leito hospitalar, você estará habitando no conforto do amor divino. *Texto originalmente publicado na coluna Lion Dias Padilha, da 6ª edição do Jornal da Acase (janeiro/fevereiro 2025)

Confeitaria Dona Zuca reforça parceria com a ACASE com aniversário solidário

Mariana Carvalho O pequeno Miguel, filho do casal Lucas Ferreira e Ludmilla Moura, donos da Confeitaria Dona Zuca, na 309 Norte, celebrou o seu primeiro aninho de vida em grande estilo, no dia 30 de novembro. Dono do mais lindo e alegre sorriso espontâneo, Miguel comemorou o seu dia com a festa 365 Sorrisos. O ponto alto da tarde festiva, que aconteceu na própria Dona Zuca, foi a solidariedade. Lucas e Ludmilla decidiram comemorar o primeiro aniversário do filho estimulando a caridade. Assim, eles anunciaram aos convidados que todos os presentes levados ao Miguel seriam doados à ACASE, para as ações sociais da entidade. “Certo dia, olhando para o Miguel e vendo tudo o que havia em volta dele, tantos brinquedos, uma boa estrutura de quarto, nada lhe faltando, agradeci a Deus pela fartura e tive a ideia, logo compartilhada com a Ludy, de fazer um aniversário solidário, em que todos os presentes recebidos seriam doados para crianças carentes. Deu certo! Hoje estamos, aqui, duplamente felizes: pela vida do nosso filho e pela chance de ajudar o próximo”, conta Lucas, que também estimulou os clientes da região a participarem da ação. Dessa forma, todos que levassem nesse dia uma cesta básica ou brinquedo ganhariam de cortesia da Dona Zuca uma fatia especial de bolo. O resultado da ação foi incrível! Convidados e clientes ofertaram  dezessete cestas básicas e 22 presentes – doações que foram incorporadas ao Natal Solidário da ACASE e distribuídas às famílias acolhidas da entidade em todo Distrito Federal e entorno.

ACASE promove 1º Encontro de Voluntários, Associados e Apoiadores no Jardim Botânico de Brasília

Bruno Gouveia Mais de cinquenta pessoas, entre voluntários, associados e apoiadores da ACASE, participaram do 1º Encontro promovido pela entidade, no dia 9 de novembro. O evento aconteceu no auditório do Centro de Excelência do Cerrado, localizado no Jardim Botânico de Brasília, por cessão gratuita da Diretoria Executiva do órgão. Havia quatro propósitos no encontro promovido pela ACASE: explicar a origem da entidade; prestar contas do primeiro ano de funcionamento; estabelecer metas e propostas para 2025; e estimular a comunhão das pessoas que, ao longo de 2024, ajudaram a entidade, de alguma forma, a desenvolver suas atividades espirituais e sociais. O encontro começou às 9h30 com um café da manhã oferecido pela confeitaria Dona Zuca, que fica localizada na quadra 309 da Asa Norte. Em seguida, o pastor Alex Queiroz, da Igreja Batista Vértice, na Asa Sul, ministrou uma palavra, baseada no Evangelho de Lucas, capítulo 9:1-17, cujo tema era “Não é sobre nós! É tudo sobre Jesus”. Na sequência, o presidente da ACASE, Anderson Olivieri, em palestra de 50 minutos, abordou os temas relacionados aos quatro propósitos do encontro. Após o encerramento, os participantes do 1º Encontro se juntaram no palco para a foto oficial do evento. Ao todo foram preenchidas 12 novas fichas de pessoas que se comprometeram a ajudar a ACASE, em 2025, por meio de alguma modalidade de cooperação: voluntariado, intercessão ou doação. O presidente Anderson Olivieri comemorou o resultado do encontro, definindo-o como “histórico e fundamental”. “Um café da manhã delicioso, uma palavra linda trazida pelo pastor Alex e uma apresentação que revela os rumos da nossa entidade. Estamos felizes que muitos saíram daqui ainda mais engajados em nossa missão”, completou.

Sociedade Bíblica do Brasil sela parceria com a ACASE com doação generosa de material impresso

Carlos Rios Parceira da ACASE na missão de transformar vidas, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) entregou para nossa entidade, no fim de novembro, a sua primeira doação de material impresso. Foram disponibilizados, para os trabalhos de acolhimento hospitalar e visitas aos lares promovidos pela ACASE, mais de 400 livros, entre Bíblias, devocionais e literatura infantil. A doação é resultado do contrato de parceria firmado entre a SBB e a ACASE no começo de outubro. Na oportunidade, a Sociedade Bíblica do Brasil reconheceu a relevância do serviço de assistência social que a ACASE realiza junto às famílias e indivíduos em situações de vulnerabilidade ou risco social e inseriu a entidade em seu rol de beneficiados com doações dessa espécie. A efetivação dessa parceria é fruto dos esforços da voluntária Shirley Araújo, da ACASE, que realizou os contatos e cumpriu os trâmites burocráticos até a assinatura do contrato. Já a nossa voluntária Érika Jarjour foi a responsável por receber, das mãos da colaboradora Joyce Dayane, da SBB, a primeira doação. “A ACASE está muito feliz com a parceria da Sociedade Bíblica. Entre os benefícios que promovemos em nosso trabalho de acolhimento no Hospital Materno Infantil de Brasília e nas visitas aos lares desses acolhidos está a disponibilização de uma literatura cristã. Isso, porém, é caro. Com a parceria, resolvemos esse custo e abençoamos vidas com material de ótima qualidade”, destaca Érika Jarjour. Em Brasília, a Sociedade Bíblica do Brasil está localizada na SGAN 603 (L2 Norte) e dispõe de uma loja ampla e bem equipada. A entidade também possui unidades em outras oito capitais (Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belém e Manaus). Já a sede nacional da SBB fica localizada em Barueri (SP).

A ACASE e a política

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 5 do Jornal da ACASE) No mês de outubro, ocorreram eleições municipais em todo o Brasil, exceto em nossa Brasília. Por essa razão, muito embora o pleito paulistano –com o aparecimento de um candidato polêmico – tenha tomado o debate nacional, o assunto “eleições” não efervesceu no Distrito Federal. Isso, porém, não impediu a ACASE de ser cobrada em ações e posicionamentos políticos nem de ser alvo de ofertas de trocas de apoios. Nisto, não cedemos. Não apoiamos nomes. Somos entidade sem interesses político-eleitorais. É claro que a ACASE – como qualquer entidade ou cidadão – tem suas ações e posicionamentos políticos. Em relação às ações, ajudar um enfermo com a doação de um medicamento em falta nas farmácias públicas, como tantas vezes já socorremos em nossa Tenda do Acolhimento, é gratificante, mas melhor ainda é lutar por um sistema público de saúde de excelência; É bom alimentar um faminto, como realizamos por meio do programa Casa de Jairo, porém erradicar as causas da fome nos interessa bem mais; É maravilhoso presentear uma criança com um livro infantil, como fazemos semanalmente por meio do Ler é um remédio, mas nada se compara ao combate à evasão escolar de crianças e adolescentes. Todos esses exemplos de ideais são batalhas encampadas pela ACASE que se traduzem em ações políticas que devem ser perseguidas por qualquer cristão que ame o próximo. Nesse campo da política em sentido amplo, não participamos apenas das ações, dos ideais, mas também dos posicionamentos. Somos, por exemplo, pró-vida. Portanto, contrários ao aborto e à pena de morte. A dignidade humana – de todos os humanos – é também princípio inegociável para a ACASE. Não compactuamos com a tortura, a sexualização infantil, a violência doméstica, a descriminalização das drogas. Assim nos posicionamos nessas pautas políticas, para muitos entendidas como de “costumes”. Dito isso, considerando este Brasil tão polarizado, penso que é tempo de firmar as estacas da ACASE quanto ao seu distanciamento das batalhas eleitorais, deixando claro que os fundamentos da entidade estão no evangelho real, e não no evangelho politizado de nosso tempo, o qual tenta identificar a fé cristã com um programa político. Entendo – e esse entendimento estendo à associação – que nenhum projeto político centrado em uma pessoa pode reivindicar ser a expressão da vontade de Deus, dada a condição decaída da humanidade. Enquanto associação, somos, portanto, categóricos em dizer: agendas políticas, sim, nós temos. Políticos, não! E alegra-nos saber que há entidades cristãs com o mesmo zelo. Nesta edição, trazemos uma reportagem sobre o Dia das Crianças promovido pela ACASE em Sol Nascente, a maior favela da América Latina. Revelo aqui um bastidor desse evento. Em agosto, fui a essa comunidade para uma visita do programa Casa de Jairo. Vizinha à casa que me recebeu, percebi uma igreja com amplo estacionamento. Àquela altura, eu procurava um espaço que nos recebesse para o evento de outubro. Contatei o pastor responsável, oferecendo-lhe a festa das crianças. Sem rodeios, o pastor Luiz Pereira agradeceu a oferta e a recusou. O motivo: sempre que essas propostas lhe apareciam, por trás havia algum político local tentando tirar proveito. E ele não vendia o seu púlpito. Após ouvir a resposta do sério e íntegro pastor Luiz, tive certeza de que havíamos encontrado o local para o Dia das Crianças. Para a Assembleia de Deus Betuel, igreja é local de orar, adorar, evangelizar e chamar as pessoas para seguirem a Cristo. Este também é o chamado primário da ACASE, cuja Tenda não está à venda. Anderson OlivieriPresidente da ACASE

Dia das Crianças da ACASE leva brinquedos, alimentos e alegria a comunidade carente da Vila Madureira, no Sol Nascente

Mariana Carvalho O dia 12 de outubro foi especial para 150 crianças da Vila Madureira. Com a ajuda de patrocinadores e colaboradores individuais, a associação promoveu, nessa comunidade do Sol Nascente, o 1º Dia das Crianças da ACASE. A tarde de diversão e alegria aconteceu graças à parceria da igreja Assembleia de Deus Betuel, que cedeu à ACASE a sua excelente área de estacionamento e o templo da igreja para diversas atividades promovidas pela entidade. Das 14 às 18 horas, as crianças carentes da região se esbaldaram com brincadeiras, cama elástica, piscina de bolinhas, pintura de rosto, oficina de pulseiras, pipoca, algodão-doce, cachorro quente, arroz carreteiro, din-din e refrigerante. Uma palavra cristã de fé e esperança foi ministrada aos pequenos por Shirley Araújo, advogada que há mais de 20 anos dedica-se ao trabalho evangelístico de crianças. Mariana Soares, moradora da Vila Madureira, levou os dois filhos ao Dia das Crianças da ACASE – João, de seis anos, e Gael, de dois. Ela destacou a sensibilidade da associação de pensar em tudo: “Está sendo muito bom! Nunca recebemos na comunidade uma festa para as crianças com tanta coisa disponível para elas. Comida, brincadeiras, momento de oração… E parece que ainda tem presente no final. Estamos aqui na torcida para que tenha mesmo”, disse Mariana, sorrindo, com Gael no colo. Ao final, teve, sim, presentes. Foram distribuídos 173 brinquedos, entre bolas e carrinhos para os meninos e bonecas e ursinhos de pelúcia para as meninas. Além disso, todas as crianças receberam uma Bíblia infantil e um saquinho de guloseimas. Essa festa caprichada para as crianças só foi possível porque a ACASE recebeu doação específica para o evento de noventa pessoas e patrocínio de dez empresas. A associação investiu o valor arrecadado em alimentação para 300 pessoas, entre crianças e adultos presentes à festa; brinquedos infláveis; segurança, com a contratação de brigadistas e presentes para todas as crianças. Com o propósito de servir com excelência, a associação levou um time de 81 voluntários. A equipe de porte se dividiu entre as tarefas de cozinhar e servir os alimentos, organizar brincadeiras, fazer a segurança do evento, produzir fotos e vídeos, distribuir brinquedos, ministrar a palavra para as crianças e fazer o apoio e logística de toda a tarde. Compondo esse time, estavam 33 voluntários mirins (crianças e adolescentes entre 4 a 14 anos), que ficaram responsáveis pela entrega dos presentes às crianças da Vila Madureira. Uma das responsáveis pela preparação dos alimentos na cozinha, a voluntária Néia Latorraca ressalta a importância de ações como o Dia das Crianças da ACASE. “Sou grata por ter participado desse grande dia. Quantas crianças felizes tivemos ali. Contemplar esses rostinhos repletos de sorrisos não tem preço. Sem falar na chance que nos é dada de poder servir e amar ao próximo como a nós mesmos. Amei”, ela registra. Pastor responsável pela igreja que recebeu a ACASE para o Dia das Crianças, Luiz Pereira comemora os resultados da tarde especial. “Eu previ 150 crianças no evento e, graças a Deus, acertamos em cheio no número. A Assembleia de Deus Betuel se orgulha de ter um ministério voltado ao evangelismo e discipulado de crianças. Foi provisão divina essa parceria com a ACASE, porque proporcionou uma tarde inesquecível aos nossos meninos, que certamente voltaram para casa fartos e contentes”. A pequena Maria Luísa, de 9 anos, fez questão de confirmar as palavras do pastor Luiz, após receber os presentes: “Hoje foi o dia mais feliz da minha vida! Tomara que ano que vem tenha mais”. Que assim seja, Maria Luísa!