Abraços que curam: ACASE leva afeto ao HMIB no Dia do Abraço

Em ação especial, voluntários ofereceram abraços e acolhimento a pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde …………………….Túlio Vieira……………………. Em um lugar marcado pela espera, pela dor e pela esperança, um gesto simples reacendeu sorrisos e emocionou pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde. Em homenagem ao Dia do Abraço, comemorado no dia 22 de maio, a Associação Cristã de Assistência Social e Espiritual (ACASE) promoveu uma ação especial de carinho e acolhimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Dez voluntários se espalharam pelo hospital segurando cartazes com frases como “Posso te dar um abraço?” e “Aceita um abraço?”. O resultado foi um festival de sorrisos e encontros comoventes. A receptividade foi imediata: a maioria dos que passavam não hesitava em abrir os braços e receber o gesto afetuoso, em meio à rotina tensa e, muitas vezes, angustiante de quem está em um hospital. “Foi o abraço que desejei mais cedo, pouco antes de levantar, tanta era a minha aflição e que agora, poucas horas depois, recebo com os olhos marejados de emoção”, comentou Marli Cunha, que acompanhava a neta em consulta de rotina com nefrologista. “A gente realmente se sente percebida, é como se Deus mandasse alguém para nos lembrar que não estamos sozinhos”, ela completou. A iniciativa foi pensada como uma forma de transmitir amor, empatia e conforto em um ambiente onde gestos como esse fazem toda a diferença. De acordo com o vice-presidente da ACASE, Yan Victoria, o abraço é uma forma poderosa de comunicação não verbal, que transmite apoio e solidariedade sem precisar de palavras. “Queríamos marcar esse dia com algo simbólico, mas profundo. Um abraço pode mudar o clima de um lugar, e vimos isso acontecer hoje”, afirmou Márcia Olivieri, uma das voluntárias da ação. “Teve gente que se emocionou, que agradeceu com lágrimas nos olhos. É bonito ver o quanto o carinho gratuito ainda toca as pessoas.” A ação se somou às demais iniciativas da ACASE no HMIB, como os programas Tenda do Acolhimento, que acontece às segundas, quartas e quintas-feiras pela manhã; o Ler é um remédio, de distribuição gratuita de literatura a crianças, jovens e adultos; e o recém-criado Mesa Acolhedora, que oferece sopas e palavras de conforto aos pacientes durante a noite (págs. 8 e 9). A instituição tem se consolidado como uma presença de cuidado integral — corpo, mente e espírito — entre os que mais precisam. Entre um abraço e outro, ficaram as memórias de encontros breves, mas significativos. E a certeza de que, muitas vezes, o que mais precisamos não custa nada — apenas um pouco de atenção e braços abertos.

O servo perfeito (por Rafael Pacios de Andrade)

Por Rafael Pacios de Andrade No Cenáculo, noite da Última Ceia, levanta Jesus da mesa, toma uma toalha, deita água na bacia e passa a lavar e a enxugar os pés de seus discípulos. Cenáculo. Andar superior, mesa de refeição. Cristo serve pão e vinho. Esclarece. Aqueles eram os símbolos do seu próprio corpo; carne e sangue como libação. Oferta máxima, definitiva. Sua própria vida será servida como sacrifício: objeto de escárnios, espinhos, açoites e pregos. Vinagre. Noite da Última Ceia. Fatídicas horas. A humanidade em xeque. Decisão. O Deus-feito-homem prestes a enfrentar o excruciante calvário. A balança da história a oscilar. Uma abundante condenação tornar-se-ia uma superabundante salvação. Mas este é apenas o panorama universal. Há também muita dor íntima, particular, pessoal. Ele perderá os seus amigos e a sua família. Terá de deixar a mãe. É a última refeição do condenado que pagará pelo que não fez, castigado pelos erros de civilizações inteiras. Mas escolhe servir. Está a contemplar gente de todos os povos, tribos, línguas e nações. Tal serviço exigirá absolutamente tudo de si. Levanta e toma uma toalha. Ao colocá-la em volta da cintura, adota a tipicidade de um criado. É o eterno EU SOU, mas se coloca na base da pirâmide. Uma parte da tradição defendia que nem mesmo escravos judeus poderiam lavar os pés, sendo tal tarefa reservada aos escravos gentios. Diante da perplexidade de homens simples, se esvazia por completo. No momento da maior fraqueza, o maior serviço. Lava e enxuga os pés dos discípulos. Demonstra que seu amor persistente a tudo abraça: abrange todas as camadas sociais e revolve todos os aeons. Seu amor está à frente, na cruz, mas também antes, no lava-pés, que antecipa a cruz. Por isso, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. Igualmente serve quem poderia ser tomado como adversário: lava os pés do Iscariotes. Prova que o puro serviço não rejeita nem mesmo os algozes, tampouco os traidores. Seu serviço não faz acepções de cor, credo, nacionalidade, histórico, opinião nem de qualquer categoria ou divisão produzida pelos homens. Seu serviço a todos acolhe. Um Senhor. Exemplo vivo, real, prático, do que nos pede. Tudo o que fazemos pelos necessitados, fazemos a Ele. Servir a Deus significa servir às pessoas. Encoraja-nos a servir com um coração sincero que reflete Sua graça e compaixão. E nos capacita para isso ao conceder dons e ir conosco no Seu Espírito. O serviço cristão é estilo de vida, é sal, é luz, é inspiração para outros, é colocar as necessidades do próximo acima das nossas, é tornar-se mais semelhante a Jesus, é amar sem esperar retorno, é espalhar esperança, é ouvir com atenção, é oferecer sorrisos, é abençoar sem medida, é mergulhar em águas turbulentas, é doar sem medo, é ser instrumento da verdade, é ir atrás da ovelha perdida, é receber o filho pródigo, é abraçar o desconhecido, é andar a segunda milha, é impactar o mundo, é testemunhar com ações, é lavar os pés da humanidade. É manifestar o amor de Deus. *Texto originalmente publicado na coluna Lion Dias Padilha, da 7ª edição do Jornal da Acase (março/abril 2025)