Presidente da Acase participa de curso intensivo de Capelania Hospitalar em São Paulo e visita casa de apoio

Marco Antônio Rosas Entre os dias 1º e 4 de maio, o presidente da Acase, Anderson Olivieri, participou do Curso de Capelania Hospitalar Nível 1, promovido pela Associação Capelania na Saúde (ACS), em São Paulo – SP. O treinamento foi realizado sob a direção-geral de Eleny Vassão, referência nacional no campo da capelania hospitalar. Com mais de 40 anos de atuação em hospitais paulistanos, Eleny Vassão é capelã, escritora e autora de dezenas de livros que abordam sobre o cuidado da alma no ambiente hospitalar. Durante os quatro dias de curso intensivo — das 8h às 18h —, foram ministrados diversos módulos voltados à formação de capelães voluntários, com foco no acolhimento integral do paciente e na atuação sensível e ética nos hospitais. Entre os temas abordados estiveram: Teologia do sofrimento; O que é um hospital; Relacionamento com o profissional da saúde; Visão geral da capelania hospitalar; Quem é o paciente; Normas para visitação hospitalar; A igreja na assistência domiciliar; As bases do aconselhamento bíblico; Preparo emocional do visitador; Noções básicas sobre Cuidados Paliativos; Artesanato no hospital; Aprendendo a ouvir; e Ética cristã. Para Anderson Olivieri, a experiência foi transformadora: “Foram quatro dias incríveis. A capacidade técnica de todo o time da ACS é altíssima. Foi um privilégio ouvir a Eleny nesses dias, maior autoridade no Brasil em capelania hospitalar, bem como todos os demais palestrantes, que demonstraram profundidade de conhecimento nos temas”, afirmou. Ele também destacou a importância prática da formação para o trabalho já desenvolvido pela Acase: “Tenho certeza de que muita coisa aprendida aqui será aplicada na Tenda do Acolhimento, assim como em todos os programas da Acase. E espero continuar tendo a possibilidade de beber nessa fonte incrível que é a ACS. Temos, na Acase, muito a aprender com eles”, completou. Generosamente, no último dia de palestras, a coordenadora Eleny Vassão convidou o presidente da Acase para contar aos colegas sobre o trabalho desenvolvido em Brasília pela instituição. Anderson Olivieri aproveitou a oportunidade para relatar a história que motivou a criação da Acase e, em seguida, explicou como acontece o acolhimento hospitalar realizado pela instituição. “Senti-me honrado com o espaço cedido pela Eleny, que é exemplo não só de profissionalismo como de doçura e sensibilidade”, pontua Olivieri. A Associação Capelania na Saúde (ACS) oferece cursos presenciais e on-line voltados a todos os interessados em atuar como capelães hospitalares ou aprimorar seus conhecimentos sobre cuidado espiritual e emocional no contexto hospitalar. Mais informações podem ser encontradas no site oficial da instituição: https://capelanianasaude.org.br. Casa do Aconchego Em 30 de abril, um dia antes do início do Curso de Capelania Hospitalar Nível 1, o presidente da Acase, Anderson Olivieri, visitou a Casa do Aconchego, que é uma casa de apoio para famílias com filhos em tratamentos hospitalares em São Paulo. Sandra Tenório, coordenadora da Casa, foi a responsável por acompanhar o líder da instituição brasiliense na visitação. Ela descreveu em detalhes todas as atividades desempenhadas pela Casa do Aconchego, que é vinculada à Associação Capelania na Saúde, além de ter percorrido as dependências do local com o presidente da Acase. “Esta Casa é referência no Brasil entre as casas de apoio para atendimento extra-hospitalar às crianças com doenças graves. Estar aqui, para nós, que temos sonhos grandiosos para a Acase, inclusive de construção de uma casa para essa finalidade, é motivo de alegria. Todos que fazem a Casa do Aconchego estão de parabéns”, declarou Anderson Olivieri. A Casa do Aconchego está localizada na Rua Veríssimo Glória, 126, em Sumaré, São Paulo.

Gritos e silêncios

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 6 do Jornal da ACASE) Alguns gritos ainda martelam em minha mente. Não me refiro a volume. Nem sempre gritos se medem por decibéis. Falo de desespero, agonia, urro da alma: “Você pode ir lá reconhecer o corpo da minha filha?”; “Não tenho comida para dar às crianças”; “O remédio acabou em casa e no posto de saúde, vocês podem me ajudar?”; “A mãe quer batizar a criança antes de a bebê falecer, vocês a batizam?”; “Vão me visitar mesmo? Ninguém me visita”; “Eu quero mudar de vida e criar meu filho”. Esses são alguns dos apelos dirigidos a mim, por acolhidos da ACASE, ao longo de 2024. Eu bem poderia fazer deste texto retrospectivo do ano encerrado um memorial das conquistas da associação. Viria em boa hora não só pela alvorada do novel 2025, mas também porque a ACASE completará um ano de fundação em 22 de janeiro. Nesse tempo, acolhemos mais de cem famílias no Hospital Materno Infantil de Brasília; colocamos a Tenda do Acolhimento para funcionar na área externa do hospital; fizemos o Dia das Crianças da ACASE para 150 crianças do Sol Nascente (DF); distribuímos dezenas de cestas básicas; promovemos o Natal Solidário da associação. Não faltaram beneficências. Mas destaco os “gritos”, todos angustiantes, impactantes, porque eles me impedem de acomodar-se. Relembram-me o propósito. Empurram-me à missão de levar, aos enfermos, oração; aos famintos, alimentos; aos carentes, amor; e a todos, Cristo. Desperta-me espiritualmente para o realizar de Mateus 25:35-40, enquanto a carne me implora pelo comodismo: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram”. ― Então, os justos lhe responderão: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?”. ― O Rei responderá: ‘Em verdade lhes digo que tudo o que vocês fizeram a algum desses meus pequenos irmãos, a mim o fizeram’”. Os donos dos “gritos” são vidas oprimidas que levam seus fardos num trote lento. Poucos os veem, poucos se importam com eles. São os invisíveis de rostos e corpos marcados, de odores acentuados, de falas bombásticas ao interior de quem lhes acolhe. Pedem-nos que reconheçamos o corpo da filha em seu lugar por medo de não suportar mais este evento em sua cruel trajetória; Clamam-nos por socorro com comida porque já ouvem o ronco da fome na barriga dos filhos; Suplicam-nos o remédio faltante apavorados pelo risco da piora médica do rebento; Imploram-nos o batismo da filha em travessia tementes da morte eterna; Aceitam a visita domiciliar esperançosos de alguém lhes bem-querer; Confessam-nos o desejo por mudança de vida, largando o crime, em gratidão pela cura do filho enfermo. Para acolher pessoas em situação hospitalar, é preciso que o grito da alma seja escutado. Mesmo que esse grito prescinda de sons, falas, e seja ele o silêncio. Digo porque, certo dia, notei a presença de uma moça embaixo de uma árvore do bosque do HMIB. Passados dez minutos, ela continuava na mesma posição – imóvel e aérea. Aproximei-me e perguntei-lhe o que se passava. Ela não conseguia falar. Mordeu os lábios e chorou. Com algum custo, depois de muito pranto, disse-me: “Os médicos estão lá dentro fazendo o último teste para confirmar a inatividade cerebral do meu filho de nove anos”. Silencie-me, até encontrar forças para orar com ela, que reapareceria duas horas depois, em mensagem de celular, confirmando o óbito. Entre gritos e silêncios, estou certo de que em 2024, para oprimidos em situação hospitalar, a ACASE constituiu-se verdadeira presença confortadora e portadora da boa-nova salvífica, a qual só é possível por meio de Cristo. Já pessoalmente, exercitar a missão da ACASE significou confrontar, à luz da verdade redentora, tudo o que há de desorientado, encardido e destroçado em mim. Eis o meu “grito”. Anderson OlivieriPresidente da Acase

A ACASE e a política

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 5 do Jornal da ACASE) No mês de outubro, ocorreram eleições municipais em todo o Brasil, exceto em nossa Brasília. Por essa razão, muito embora o pleito paulistano –com o aparecimento de um candidato polêmico – tenha tomado o debate nacional, o assunto “eleições” não efervesceu no Distrito Federal. Isso, porém, não impediu a ACASE de ser cobrada em ações e posicionamentos políticos nem de ser alvo de ofertas de trocas de apoios. Nisto, não cedemos. Não apoiamos nomes. Somos entidade sem interesses político-eleitorais. É claro que a ACASE – como qualquer entidade ou cidadão – tem suas ações e posicionamentos políticos. Em relação às ações, ajudar um enfermo com a doação de um medicamento em falta nas farmácias públicas, como tantas vezes já socorremos em nossa Tenda do Acolhimento, é gratificante, mas melhor ainda é lutar por um sistema público de saúde de excelência; É bom alimentar um faminto, como realizamos por meio do programa Casa de Jairo, porém erradicar as causas da fome nos interessa bem mais; É maravilhoso presentear uma criança com um livro infantil, como fazemos semanalmente por meio do Ler é um remédio, mas nada se compara ao combate à evasão escolar de crianças e adolescentes. Todos esses exemplos de ideais são batalhas encampadas pela ACASE que se traduzem em ações políticas que devem ser perseguidas por qualquer cristão que ame o próximo. Nesse campo da política em sentido amplo, não participamos apenas das ações, dos ideais, mas também dos posicionamentos. Somos, por exemplo, pró-vida. Portanto, contrários ao aborto e à pena de morte. A dignidade humana – de todos os humanos – é também princípio inegociável para a ACASE. Não compactuamos com a tortura, a sexualização infantil, a violência doméstica, a descriminalização das drogas. Assim nos posicionamos nessas pautas políticas, para muitos entendidas como de “costumes”. Dito isso, considerando este Brasil tão polarizado, penso que é tempo de firmar as estacas da ACASE quanto ao seu distanciamento das batalhas eleitorais, deixando claro que os fundamentos da entidade estão no evangelho real, e não no evangelho politizado de nosso tempo, o qual tenta identificar a fé cristã com um programa político. Entendo – e esse entendimento estendo à associação – que nenhum projeto político centrado em uma pessoa pode reivindicar ser a expressão da vontade de Deus, dada a condição decaída da humanidade. Enquanto associação, somos, portanto, categóricos em dizer: agendas políticas, sim, nós temos. Políticos, não! E alegra-nos saber que há entidades cristãs com o mesmo zelo. Nesta edição, trazemos uma reportagem sobre o Dia das Crianças promovido pela ACASE em Sol Nascente, a maior favela da América Latina. Revelo aqui um bastidor desse evento. Em agosto, fui a essa comunidade para uma visita do programa Casa de Jairo. Vizinha à casa que me recebeu, percebi uma igreja com amplo estacionamento. Àquela altura, eu procurava um espaço que nos recebesse para o evento de outubro. Contatei o pastor responsável, oferecendo-lhe a festa das crianças. Sem rodeios, o pastor Luiz Pereira agradeceu a oferta e a recusou. O motivo: sempre que essas propostas lhe apareciam, por trás havia algum político local tentando tirar proveito. E ele não vendia o seu púlpito. Após ouvir a resposta do sério e íntegro pastor Luiz, tive certeza de que havíamos encontrado o local para o Dia das Crianças. Para a Assembleia de Deus Betuel, igreja é local de orar, adorar, evangelizar e chamar as pessoas para seguirem a Cristo. Este também é o chamado primário da ACASE, cuja Tenda não está à venda. Anderson OlivieriPresidente da ACASE

Crescimento próspero

(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 4 do Jornal da ACASE) Prezado amigo da ACASE, Com alegria, anuncio-lhe uma importante conquista da nossa associação: fomos autorizados e credenciados como voluntários sociais, pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal e pela direção do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), para a execução da Tenda do Acolhimento. Esse projeto está em nosso coração desde outubro do ano passado. Trata-se de um espaço, sob tenda, localizado no jardim externo do hospital infantil, dedicado ao acolhimento afetivo de pessoas em situação hospitalar ou com familiar nessa condição. Já contei, em vídeos institucionais e neste espaço do Jornal da ACASE, que iniciei este trabalho de acolhimento na área externa do hospital após viver um drama pessoal. Em janeiro de 2023, o meu filho se submeteu a uma cirurgia para retirada de tumor maligno. Nesse dia, aflito, me refugiei no entorno do hospital, onde, enquanto caminhava, respirava fundo e orava a Deus por um procedimento bem-sucedido. Naquele momento, entre tantos sentimentos, experimentei o medo, a solidão e a carência. Desejei a aproximação de algum transeunte, para um abraço, uma palavra ou uma oração. Ninguém apareceu. Um mês depois, eu estava na área externa do HMIB, por conta própria, dando aos meus iguais o que não tive em minha angústia. Após oito meses de corpo a corpo, de acolhimento à base de sola de sapato gasta, ocorreu-me otimizar o ministério. Para isso, fundei a ACASE. Em seguida, apresentei ao hospital a ideia da tenda. Com ela, em vez de ir até os aflitos, estes viriam a nós. A direção do HMIB aprovou o projeto. Assim, fizemos história: sou, como presidente da associação, o primeiro voluntário social registrado do hospital. Nesta edição, em reportagem da página 6, você saberá mais sobre a Tenda do Acolhimento. Por ora, registro a nossa alegria com a conquista e rogo a Deus que possamos ser, por meio do novo espaço, o amparo do aflito e do desconsolado na hora do medo e da dor. Não pararam por aí as novidades da ACASE no último bimestre. Criamos, em agosto, o projeto Ler é um remédio, o qual se dedica à entrega de kits de leitura a crianças internadas ou que visitam o hospital para uma consulta médica. Esta edição número 4 traz uma interessante entrevista com Renata Guimarães, especialista em Leitura em Voz Alta. Ela destaca, com referência cientifica, a importante contribuição que os livros e a leitura podem dar aos pacientes infanto-juvenis no processo de cura. Ao idealizar o Ler é um remédio para crianças, pensamos exatamente nisto: proporcionar passatempo, ativar a imaginação para longe do ambiente hospitalar, aliviar dores, estreitar caminhos para a cura. Já o Casa de Jairo, projeto inaugurado em junho e apresentado na última edição deste periódico, cresceu nos meses de julho e agosto. Nesse período, visitamos famílias, distribuímos 21 cestas básicas, amparamos mães de bebês com fraldas e assistimos uma criança autista com consulta particular em neuropedagogo. Temos carinho especial pelo projeto Casa de Jairo, braço social da ACASE e nosso modo de praticar o mandamento ensinado por Jesus: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mt. 22.39). Vê-lo crescer, se ampliar, orgulha-nos. Cumprir essa agenda só é possível porque temos contado com a ajuda de voluntários, intercessores e colaboradores comprometidos com o serviço e a doação. A todos que têm ofertado tempo e recursos à ACASE, agradeço imensamente. Diz a sabedoria: missão se faz com os pés dos que vão, com os joelhos dos que oram e com as mãos dos que contribuem. Se a ACASE cresce, deve a muitos pés, mãos e joelhos generosos. Obrigado! Anderson OlivieriPresidente da ACASE