Josa Dias, a vovó mais querida do HMIB

Na edição passada, o Jornal da Acase inaugurou o espaço Vidas em foco, dedicado a contar um pouco sobre a trajetória dos acolhidos da Acase. Nesta edição nº. 11, também destacaremos aqueles que têm feito a Acase acontecer: nossos voluntários. Dessa forma, de agora em diante, Vidas em foco e Voluntários em foco se alternarão neste espaço que tem um só objetivo: contar histórias de vidas – ora vidas que chegam até nós para serem acolhidas, ora vidas que acolhem. Quem estreia o espaço é a catarinense Josa Dias, voluntária da Acase desde abril de 2025. *** Ela é Josa Dias, mais conhecida por nós, da Acase, como Dona Jô ou simplesmente Jô. Mas nem pense em chamá-la por um desses nomes enquanto está acolhendo uma criança no Hospital Materno Infantil de Brasília. Afinal, nesses momentos, ela só atende por um nome: Vovó Aurora. Natural de Xanxerê, no oeste de Santa Catarina, Josa viveu durante 54 anos em sua cidade natal. Na infância, viu os pais se separarem – tristeza que não tirou por completo o brilho da fase: “Tive uma infância divertida”, registra. Nesse tempo, além do amor da mãe e dos quatro irmãos, Josa desfrutava em casa da presença carinhosa da tia – a quem considera uma segunda mãe – e da avó. Essas mulheres foram as responsáveis por guiar Josa e seus irmãos ao melhor caminho: o de Cristo. A presença da fé e da igreja nos primeiros anos de vida marcaram-na para sempre. Uma de suas mais fortes lembranças está nos socorros que os irmãos da igreja ofereciam à família. Era por meio dessa comunidade que, muitas vezes, o alimento chegava à mesa daquela família numerosa e privada de um provedor. Esse apoio se intensificou quando a mãe de Josa sofreu um derrame cerebral que prejudicou severamente a sua saúde. “A igreja foi nota mil em nossa vida material e espiritual”, revela. Com isso, família e fé logo se transformaram nas células mais importantes da vida de Josa. Não demoraria para que ambas se unissem em um só propósito. Primeiro, adoeceu a tia considerada segunda mãe. Lá foi Dona Jô cuidar dela nas internações. Depois, a própria mãe, diagnosticada com hidrocefalia, tornou-se frequente no hospital – responsabilidade de idas e vindas que recaiu sobre Josa. Nessa época, por ser professora de escola dominical na igreja, ela participou de um projeto chamado “Construindo valores” que lhe oportunizou fazer um curso de capelania hospitalar – ambiente ao qual Josa já conhecia muito bem. Unindo a experiência pessoal de quem conhecia bem a dura realidade hospitalar com a capacitação técnica recebida para falar de Jesus aos enfermos, Dona Jô passou a fazer o trabalho de visitação a leitos de hospitais, sempre acompanhada do fantoche, estratégia da qual até hoje ela se vale para contar histórias e falar do Evangelho aos doentes. Josa não teve dúvidas: ela amava o que fazia e nisso estava o seu chamado ministerial. Porém, com a mudança para Brasília de uma das filhas e a saudade das netas, Dona Jô decidiu encaixotar o fantoche e também se mudar para a Capital da República. Tinha certeza de se tratar de uma despedida definitiva – nunca mais faria trabalho em hospitais com fantoches, acreditava. Tanto que se mudou para Brasília de mala e cuia – mas mala sem os fantoches, que permaneceram em Xanxerê. Aqui, porém, logo que chegou, soube pelo pastor da igreja de um trabalho desenvolvido em hospital infantil pela Acase. Sentiu o coração queimar e decidiu conhecer o projeto. Na primeira visita, ela já se encantou pelo ministério – e os irmãos da Acase por ela. O convite para que se tornasse uma voluntária da Acase aconteceu de cara, bem como o aceite de Dona Jô, que não demorou a revelar seu traquejo com fantoches. Esse talento não seria desperdiçado, e todos na Acase logo encorajaram Dona Jô a dar um jeito de fazer chegar a Brasília os fantoches. Assim, ela, Vovó Aurora, a vovó mais amada do HMIB, não demorou a desembarcar na Capital Federal. De touca colorida e babador na mesma estampa sobre uma camisa amarela, com cabelinhos brancos escapando pelas laterais, Vovó Aurora é o fantoche com o qual Dona Jô cativa as crianças do hospital. E assim, entre risadas infantis e olhos marejados, Josa Dias reafirma o que sempre soube: que o dom da vida é servir. Porque, no fundo, a Vovó Aurora não é apenas um fantoche — é um espelho da alma de uma mulher que aprendeu, desde cedo, que cuidar do outro é a forma mais bonita de adorar a Deus.