A ACASE e a política
(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 5 do Jornal da ACASE) No mês de outubro, ocorreram eleições municipais em todo o Brasil, exceto em nossa Brasília. Por essa razão, muito embora o pleito paulistano –com o aparecimento de um candidato polêmico – tenha tomado o debate nacional, o assunto “eleições” não efervesceu no Distrito Federal. Isso, porém, não impediu a ACASE de ser cobrada em ações e posicionamentos políticos nem de ser alvo de ofertas de trocas de apoios. Nisto, não cedemos. Não apoiamos nomes. Somos entidade sem interesses político-eleitorais. É claro que a ACASE – como qualquer entidade ou cidadão – tem suas ações e posicionamentos políticos. Em relação às ações, ajudar um enfermo com a doação de um medicamento em falta nas farmácias públicas, como tantas vezes já socorremos em nossa Tenda do Acolhimento, é gratificante, mas melhor ainda é lutar por um sistema público de saúde de excelência; É bom alimentar um faminto, como realizamos por meio do programa Casa de Jairo, porém erradicar as causas da fome nos interessa bem mais; É maravilhoso presentear uma criança com um livro infantil, como fazemos semanalmente por meio do Ler é um remédio, mas nada se compara ao combate à evasão escolar de crianças e adolescentes. Todos esses exemplos de ideais são batalhas encampadas pela ACASE que se traduzem em ações políticas que devem ser perseguidas por qualquer cristão que ame o próximo. Nesse campo da política em sentido amplo, não participamos apenas das ações, dos ideais, mas também dos posicionamentos. Somos, por exemplo, pró-vida. Portanto, contrários ao aborto e à pena de morte. A dignidade humana – de todos os humanos – é também princípio inegociável para a ACASE. Não compactuamos com a tortura, a sexualização infantil, a violência doméstica, a descriminalização das drogas. Assim nos posicionamos nessas pautas políticas, para muitos entendidas como de “costumes”. Dito isso, considerando este Brasil tão polarizado, penso que é tempo de firmar as estacas da ACASE quanto ao seu distanciamento das batalhas eleitorais, deixando claro que os fundamentos da entidade estão no evangelho real, e não no evangelho politizado de nosso tempo, o qual tenta identificar a fé cristã com um programa político. Entendo – e esse entendimento estendo à associação – que nenhum projeto político centrado em uma pessoa pode reivindicar ser a expressão da vontade de Deus, dada a condição decaída da humanidade. Enquanto associação, somos, portanto, categóricos em dizer: agendas políticas, sim, nós temos. Políticos, não! E alegra-nos saber que há entidades cristãs com o mesmo zelo. Nesta edição, trazemos uma reportagem sobre o Dia das Crianças promovido pela ACASE em Sol Nascente, a maior favela da América Latina. Revelo aqui um bastidor desse evento. Em agosto, fui a essa comunidade para uma visita do programa Casa de Jairo. Vizinha à casa que me recebeu, percebi uma igreja com amplo estacionamento. Àquela altura, eu procurava um espaço que nos recebesse para o evento de outubro. Contatei o pastor responsável, oferecendo-lhe a festa das crianças. Sem rodeios, o pastor Luiz Pereira agradeceu a oferta e a recusou. O motivo: sempre que essas propostas lhe apareciam, por trás havia algum político local tentando tirar proveito. E ele não vendia o seu púlpito. Após ouvir a resposta do sério e íntegro pastor Luiz, tive certeza de que havíamos encontrado o local para o Dia das Crianças. Para a Assembleia de Deus Betuel, igreja é local de orar, adorar, evangelizar e chamar as pessoas para seguirem a Cristo. Este também é o chamado primário da ACASE, cuja Tenda não está à venda. Anderson OlivieriPresidente da ACASE
