Somos uma Instituição Social Cristã Evangélica, sem fins lucrativos, com sede em Brasília e atuação no âmbito do amparo a crianças e famílias em situação hospitalar.

 

Amar ao próximo sem limites

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(Palavra do Presidente veiculada na edição nº. 3 do Jornal da ACASE)

Ao criar a ACASE, além de estabelecer sua missão, visão e valores, nós definimos seus limites. Nesse ponto, parecia-nos importante, por exemplo, restringir exclusivamente a ambientes hospitalares as assistências espiritual e social oferecidas pela entidade àquelas pessoas acolhidas por um de nossos voluntários. Outra demarcação foi geográfica. Delimitamos a atuação da ACASE a Brasília. Ou seja, fora do famoso quadradinho, qualquer acolhimento promovido por associado ou voluntário não teria a cobertura da nossa entidade.

A definição de limites é importante. Traz ordem, estabelece foco e organiza ações. Mas limites não são princípios. Estes revelam a essência, o fundamento e o coração da instituição. Na nossa missão, visão e valores, estão impregnados os princípios da ACASE. É inegociável, para nós, o caráter de instituição comprometida com o cumprimento do segundo mandamento cristão, servindo ao próximo nos hospitais de modo a refletir Cristo (visão), bem como ter a simplicidade, o amor e o serviço de Cristo como valores. Isso é pétreo, imutável, só passível de desaparecimento com a extinção da própria entidade.

Mas os limites, não. Eles se moldam e se transformam ao sabor do tempo e, sobretudo, da vontade de Deus para a ACASE. Um evento em junho último ilustra bem a variabilidade dos limites. Viajei a trabalho para Cristalina – GO. No segundo dia de reuniões, após concluir com o cliente, dirigi-me ao centro da cidade em busca de um local onde pudesse lanchar antes de pegar estrada para Brasília. Encontrei um simpático café. Estava vazio. Nele, somente eu e uma atendente bem-educada, que me serviu com gentileza. Mal comecei a comer, uma mulher entrou na loja. Ela trocou duas palavras com a funcionária e veio em minha direção, pedindo ajuda em dinheiro. Eu estava pronto para dispensá-la ao argumento de não dispor de nem um real na carteira quando ela emendou: “minha filha está com câncer”.

A frase me imobilizou. Após alguns segundos, perguntei-lhe o nome e a convidei a se sentar. Amanda preferiu puxar a cadeira da mesa ao lado. Pedi à funcionária que a servisse com café e pão de queijo. A mulher disparou a falar: “Perder um filho é muito duro, já perdi um, sei como é, e devo perder o segundo, porque os médicos no Hospital da Criança em Brasília já desenganaram a minha filha”. Amanda não dava trégua no falatório, enquanto eu mais a olhava e ouvia do que me expressava. Só reivindiquei a palavra quando, após me dizer isso, ela emendou: “Mas Deus pode fazer um milagre, eu sei que pode”. Emocionado, eu disse a ela que, sim, Deus pode e que a vida do meu filho é prova disso. Contei à Amanda como enfrentara o câncer de Daniel e testemunhei o milagre vivido em casa. Curiosa por detalhes, ela me bombardeou de perguntas. Por fim, pediu para ver uma foto do Daniel.

Ela sorriu ao conhecer o meu filho pela tela do celular. E chorou em seguida, dizendo que há muito tempo não vê no rosto da filha de dois anos um sorriso como aquele estampado pelo Daniel na imagem. “Ela passa o dia gemendo de dor, é uma doença muito cruel”, desabafou, limpando com a gola da camisa as lágrimas que corriam em profusão pelo rosto. Segurei ao máximo, mas não consegui conter a emoção. Choramos juntos, abraçados. E, em seguida, oramos pela garotinha.

A pequena Heloísa luta contra um câncer no intestino, já alastrado por todos os órgãos da região do tronco. Amanda, a mãe, é analfabeta, tem outros quatro filhos e sobrevive do auxílio do governo federal. Precisa de ajuda para remédios, alimentos, transporte para o tratamento da filha em Brasília e amor – tudo ao alcance da ACASE, cujos limites – ensinou-me Amanda de Cristalina neste encontro providenciado por Deus – não são o perímetro de um hospital ou o quadradinho no centro do Brasil – mas o imperativo cristão do amor ao próximo.

Bem-vinda, Heloísa. Que o bom Deus te abençoe.

Anderson Olivieri
Presidente da ACASE

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